Eleição na Câmara

Rodrigo Maia pode ser (re)eleito em 1º turno, mas o que pode dar errado para ele?

Cálculos feitos nos bastidores apontam para vitória tranquila do atual presidente da casa legislativa

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SÃO PAULO – A nova ofensiva dos adversários de Rodrigo Maia (DEM-RJ) contra sua recondução à presidência da Câmara dos Deputados amplia a judicialização sobre o pleito que definirá o comandante da casa legislativa para os próximos dois anos. André Figueiredo (PDT-CE), Jovair Arantes (PTB-GO), Júlio Delgado (PSB-MG) e Rogério Rosso (PSD-DF) pedem a suspensão da eleição, marcada para a próxima quinta-feira (2), até uma decisão final do Supremo Tribunal Federal. Eles argumentam que a Constituição veda a reeleição para a presidência da Câmara.

Se, por um lado, analistas chamam atenção para o fato de tal iniciativa representar um reconhecimento prévio de que politicamente o jogo sinaliza confortável vitória do deputado do Democratas, por outro, há quem ainda observe com atenção a possibilidade de uma decisão do Supremo Tribunal Federal impedi-lo de concorrer ao cargo que hoje ocupa. Apesar disso, não está claro se a Corte deliberará a tempo sobre a questão e se os ministros estariam dispostos a tomar uma decisão que modifique o curso do processo eleitoral de outro Poder. O risco jurídico é a principal arma usada pelos adversários a esta altura da disputa, mas é avaliada como muito pouco provável.

Cálculos feitos nos bastidores apontam para vitória tranquila de Rodrigo Maia, com possibilidade de definição já em primeiro turno. Estima-se que o parlamentar teria algo em torno de 300 votos, o que lhe garantiria uma gordura de quase 50 traições. “Rodrigo conseguiu desossar o ‘centrão’ e levar consigo PP, PR e PRB. Ele ganhou 100 votos e Jovair não conseguiu atrair a oposição”, observou o analista político Richard Back, da XP Investimentos.

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Tido como principal candidato do “centrão” — bloco em crise em meio à derrocada de seu principal líder, Eduardo Cunha (PMDB) –, Jovair Arantes (PTB-GO) tem dito que o endosso dado pelas bancadas a seu adversário não significam apoio efetivo dos parlamentares das siglas. “A eleição será decidida pelo deputado, sua individualidade e seu voto”, sustenta [leia a entrevista completa aqui]. Atualmente, nove partidos anunciaram apoio a Rodrigo Maia: PV (6), PP (46), PRB (22), PSD (37), PR (39), PSB (36), PHS (7), PSDB (47) e DEM (29). Além disso, espera-se que o favorito na disputa consiga votos de parlamentares do PCdoB (12), PMDB (64) e até mesmo de parcela da bancada do PT (58).

Na avaliação de Back, as candidaturas de Rogério Rosso (PSD-DF) e de Júlio Delgado (PSD-MG) — anunciada na reta final da disputa — podem trazer efeito curioso, tendo em vista o apoio anunciado por suas respectivas bancadas à recondução do atual presidente da casa. “São candidaturas independentes até mesmo de seus partidos, que podem pulverizar eventuais traições a Maia nas bancadas que oficialmente o apoiam. Maia não perde com o lançamento de Delgado e a retomada de Rosso [que havia suspendido campanha na última quarta-feira]. Quanto mais pulverização no ‘centrão’, pior é para Jovair”, observa. Ao mesmo tempo, há quem observe que o surgimento de um novo candidato pode trazer novas chances para a disputa não terminar em primeiro turno. A força coletiva dos adversários de Maia é ruim para o governo e também pode sinalizar mais dificuldades de aglutinação da base futuramente. Em pouco provável (porém, possível) segundo turno, talvez a equipe de Michel Temer tenha que ceder pontos indesejáveis em pautas caras.

A confirmação da vitória de Rodrigo Maia significa êxito do candidato apoiado pelo Palácio do Planalto e maior facilidade do governo na condução de sua agenda de ajustes para a economia. O parlamentar também é o predileto do mercado, já que tem adotado postura mais amistosa às pautas de seu interesse em tramitação no Legislativo. No caso de recondução ao cargo, tais compromissos de Maia novamente seriam testados. Resta saber se a aproximação das eleições gerais de 2018 pesariam sobre suas posições. Do lado do ‘centrão’, caberá ao Planalto recolher os feridos e buscar uma nova aglutinação, sob o risco de ter em pautas como a Reforma da Previdência potencial retaliador dos incomodados.