Republicanos abre as portas para Michelle após crise no PL: “Será muito bem-vinda”

Convite público do presidente da sigla ocorre após ex-primeira-dama deixar comando do PL Mulher em meio ao conflito com Flávio Bolsonaro

Marina Verenicz

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O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira, afirmou que a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, seria “muito bem-vinda” à legenda, em meio às especulações sobre seu futuro político após deixar o comando do PL Mulher.

A declaração foi dada à coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, e reforça a movimentação de dirigentes do Republicanos para atrair Michelle caso ela decida trocar de partido depois das eleições de outubro.

Segundo Pereira, não há negociação formal em andamento, mas a legenda vê com bons olhos uma eventual filiação da ex-primeira-dama. Pela legislação eleitoral, qualquer mudança ocorreria apenas após o pleito, já que candidatos precisam estar filiados ao partido pelo menos seis meses antes da eleição.

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O convite público acontece dois dias depois de Michelle deixar a presidência do PL Mulher. A saída ocorreu na esteira da crise aberta com Flávio Bolsonaro, pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto.

O atrito ganhou dimensão nacional após Michelle divulgar um vídeo nas redes sociais afirmando ter sido desrespeitada pelo enteado durante as negociações sobre os palanques estaduais. O principal ponto de divergência foi o apoio do senador à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, decisão criticada pela ex-primeira-dama, que defendia um nome mais alinhado ao núcleo ideológico do bolsonarismo.

Flávio respondeu publicamente, pediu desculpas e afirmou que não teve a intenção de ofendê-la. Nos bastidores, dirigentes do PL e o ex-presidente Jair Bolsonaro tentaram reduzir o desgaste e evitar que o episódio comprometesse a campanha presidencial.

Apesar das tentativas de pacificação, o episódio abriu espaço para o assédio de outras legendas. No Republicanos, duas lideranças próximas de Michelle passaram a atuar para aproximá-la da sigla: a senadora Damares Alves (DF) e a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Cristiane Britto.

O interesse do Republicanos também dialoga com o peso político conquistado por Michelle nos últimos anos. À frente do PL Mulher, ela consolidou influência junto ao eleitorado evangélico e feminino, dois segmentos considerados estratégicos para a direita nas eleições de 2026.

Pesquisas recentes mostram que a ex-primeira-dama preserva capital político próprio dentro do campo conservador. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta semana indicou que 38,6% dos entrevistados acreditam que Michelle tornou pública a disputa com Flávio para se viabilizar como candidata à Presidência.

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Ao mesmo tempo, 55,4% consideram importante ou muito importante sua participação na campanha do senador, sinalizando que sua influência continua relevante mesmo após a crise.