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PT está “abaixo do volume morto” e impeachment: as declarações de Cunha nesta 2ª

"Se a frase do ex-presidente Lula é de que o PT está no volume morto, acho que para a sociedade ele já baixou do volume morto"; presidente da Câmara falou sobre meta de superávit e também sofreu protestos na saída de evento realizado pelo LIDE

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SÃO PAULO — Em evento realizado pelo LIDE, o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) centrou mais uma vez as suas críticas ao governo Dilma Rousseff e ao PT e disse que o partido, para a sociedade, está “abaixo do volume morto”. Isso em referência a uma fala feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho.

“Se a frase do ex-presidente Lula é de que o PT está no volume morto, acho que para a sociedade ele já baixou do volume morto. O que precisamos fazer é ver para o futuro. E o futuro passa por esse debate todo que estamos fazendo, que a gente possa construir soluções que esteja em consonância com a sociedade. E não fazer do congresso e do governo apenas uma pauta ideológica, corporativa e partidária”, afirmou.

Ele destacou ainda que a impopularidade do PT “consegue ser maior que a impopularidade de Dilma Rousseff“ e que, talvez, o partido “tenha até arrastado a impopularidade dela mais para baixo do que poderia ser”.

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Cunha ainda afirmou que o seu rompimento político com o governo foi em “reação a uma covardia”. 

Impeachment
O presidente da Câmara disse ainda que a discussão sobre as propostas de abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff tem tido impacto na confiança dos setores econômicos. “Eu entendo que é um processo grave com consequências danosas para o país. Certamente não será bom para o ambiente econômico a própria discussão como ela está sendo feita. Não tenho dúvida de que essa própria discussão tem levado à diminuição da confiança”.

Cunha destacou que, apesar de ter anunciado o rompimento com o governo federal, analisará os pedidos de abertura de processo a partir de fundamentos legais. “Eu vou separar muito bem isso. Vou ter até uma cautela, para não antecipar meu julgamento, ou parecer que qualquer tipo de posicionamento tem a ver com a mudança do meu posicionamento político, que eu anunciei publicamente”, enfatizou.

Na semana passada, o parlamentar despachou os 11 pedidos de impeachment da presidente de volta aos autores, para que sejam reformulados segundo os requisitos do regimento da Câmara, antes de serem apreciados pela Mesa Diretora.

Críticas ao ajuste fiscal
A política econômica do governo foi criticada diversas vezes por Cunha, que classificou o ajuste fiscal como “pífio”. Na opinião dele, não está claro quais são os objetivos das medidas anunciadas ao longo deste ano. “Não adianta só você impor à sociedade sacrifícios. Você tem que dizer à sociedade o que vai acontecer depois dos sacrifícios, qual é o norte”, ressaltou.

Cunha destacou considerar nula a possibilidade do Brasil conseguir atingir a nova meta (reduzida na semana passada) de superávit primário de 0,15% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015.

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E há três motivos principais para isso, que se tratam de condicionantes estabelecidas pelo governo para conseguir atingir a meta, e que são pouco prováveis de serem atingidas. As declarações foram concedidas em evento realizado pelo Lide, realizado na capital paulista. 

Em primeiro lugar, está o projeto de repatriação de capitais, apresentador por Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e que, segundo Cunha, precisa ser apresentado pelo próprio governo para que tramite no Congresso. “O governo precisa parar de se esconder. Tem que assumir o que quer”, afirmou, ressaltando que “não dá para o governo terceirizar a sua pauta pelo PSOL ou por qualquer outro partido”.

Outras medidas que sofrem condicionantes são o pacote de concessões anunciados pelo governo, sendo que não há garantia de que o governo conseguirá adquirir o previsto. “A receita de R$ 5 bilhões de concessões é uma meta difícil de garantir”, afirmou.

Por fim, em terceiro lugar, está a Medida Provisória do governo para a Reabertura do Refis, programa de refinanciamento de dívidas tributárias. Porém, segundo ele, a meta de arrecadar R$ 10 bilhões desta fonte é irrealista. 

“Dado esse quadro, a meta de superávit de 0,15% não será atingida. Não há dúvidas quanto a isso”, afirmou. Ele ainda classificou como pífias as propostas de ajuste fiscal e afirmou que o ambiente de crise política e econômica ameaça o grau de investimento brasileiro. “O pior desastre para o Brasil é perder o grau de investimento”, destacou. 

Além disso, o parlamentar reiterou a responsabilidade do governo federal pela instabilidade política em meio aos erros de articulação política, exemplificando com a tentativa de criar novos partidos. 

Protestos contra Cunha
Do lado de fora do hotel onde foi realizado o evento, um grupo levou uma faixa para protestar contra Cunha, especialmente em relação ao posicionamento favorável à redução da maioridade penal. “Hoje, o Cunha é o inimigo número um da juventude brasileira”, afirmou a militante do movimento Juntos, Camila Souza. A estudante de ciências sociais também lembrou as denúncias envolvendo o deputado na Operação Lava Jato, que investiga irregularidades e pagamento de propina em contratos da Petrobras. “Queremos que ele deixe a Presidência da Câmara”, defendeu.

Cunha não respondeu às perguntas dos jornalistas relativas às acusações que envolvem seu nome na operação. Segundo ele, por orientação do seu advogado. “Ele acha que eu falo demais”, brincou. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, o empresário Júlio Camargo disse que Cunha pediu US$ 5 milhões de propina para viabilizar um contrato de navios-sonda da Petrobras.

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O parlamentar manifestou tranquilidade quando perguntado sobre o fato de estar “na mira” do PT de Minas Gerais, que trabalha pela sua destituição. 

Cunha, durante coletiva concedida a jornalistas após a sua explanação, respondeu: “o PT é o meu adversário, é uma alegria para mim”, disse ele sobre os movimentos sobre sua saída. Segundo ele, seria estranho se o defendessem.  

Em seminário do PT com a participação de presidentes e secretários municipais da legenda no último final de semana, em Belo Horizonte, líderes do partido criticaram o peemedebista e afirmaram que sua condição à frente da Câmara deverá ser questionada no retorno dos trabalhos do Legislativo. Dentre os deputados, está Reginaldo Lopes (PT), que considerou a atuação do presidente da Câmara “um desastre” e afirmou que a sua destituição estará em pauta na Câmara. Ao ser perguntado sobre se havia algum movimento do próprio PMDB para destitui-lo, Cunha disse que a notícia sobre esta “movimentação” foi desmentida, inclusive pelo próprio PMDB. 

(Com Agência Brasil)