"Terceira via"

PSDB formaliza apoio a Simone Tebet em eleições presidenciais; Tasso Jereissati deve ficar com a vice

Será a primeira vez em 33 anos que os tucanos não terão um representante como cabeça de chapa na corrida presidencial

Por  Marcos Mortari -

O PSDB formalizou, nesta quinta-feira (9), apoio à pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) ao Palácio do Planalto. A votação da Executiva Nacional do partido terminou com 39 votos a favor, 6 contra – dos deputados Aécio Neves(MG), Alexandre Frota (SP), Eduardo Barbosa (MG), Paulo Abi-Ackel (MG) e Valdir Rossoni (PR), além do senador Plínio Valério (AM) – e 1 abstenção (de Nelson Marchezan Jr., vice-presidente da sigla).

O movimento ocorre após avanços nas tratativas com integrantes do MDB por uma aliança na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul ‒ uma das exigências dos tucanos ‒, mas já há previsão de traições, sobretudo em estados em que PSDB e MDB serão adversários, como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Pernambuco e Goiás.

O acerto sobre a candidatura de Tebet foi costurado um dia antes no gabinete do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), cotado para a posição de vice da chapa. Será a primeira vez desde 1989 que o PSDB não terá um representante na cabeça de uma chapa na corrida presidencial.

Com o anúncio, três partidos do autodenominado “centro” (MDB, PSDB e Cidadania) devem caminhar juntos na corrida ao Planalto, com uma candidatura alternativa à polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A menos de quatro meses do pleito, o bloco terá de correr contra o tempo para transformar a “terceira via” em opção viável. Segundo as mais recentes edições das pesquisas Quaest, PoderData, Ipespe e Datafolha, Lula e Bolsonaro concentram pelo menos 75% das intenções de voto em simulações de primeiro turno ‒ o que significa mais de 86% em votos válidos.

Em seu melhor desempenho, Tebet não ultrapassa 2% das intenções de voto totais. Hoje, a candidatura alternativa a Lula e Bolsonaro mais bem posicionada nas pesquisas é a de Ciro Gomes (PDT), que chega a 9% no levantamento Ipespe.

Filha do influente político Ramez Tebet (1936-2006), que foi governador de Mato Grosso do Sul e presidente do Senado Federal, Simone Tebet tem 52 anos e está em seu primeiro mandato como senadora.

A parlamentar é vista como perfil moderado, discreto e com boa capacidade de articulação nos bastidores. Ela é formada em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialista em Ciência do Direito pela Escola Superior de Magistratura e mestre em Direito do Estado pela PUC-SP.

Atuou como professora universitária de Direito Administrativo por 12 anos e trabalhou como consultora técnica jurídica na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, onde iniciou sua vida na política após ser eleita pelo então PMDB, com 25.251 votos, em 2002.

Dois anos depois, ascendeu para a prefeitura de Três Lagoas (MS), sua cidade natal, onde foi reeleita. Antes de eleita senadora, Tebet também foi vice-governadora do Mato Grosso do Sul na chapa de André Puccinelli (MDB).

Como parlamentar em Brasília, já foi líder do MDB no Senado Federal, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e se lançou candidata ao comando da casa legislativa, mas retirou seu nome em 2019 e foi derrotada dois anos depois.

Em 2021 ganhou destaque como líder da bancada feminina e por sua atuação na CPI da Covid, pelas posições firmes durante as sessões e pelas estratégias para extrair informações relevantes dos depoentes nas investigações.

Para apoiar a candidatura de Simone Tebet ao Palácio do Planalto, o PSDB exigiu ao MDB a adesão à candidatura de Eduardo Leite ao governo do Rio Grande do Sul. O gaúcho havia deixado o cargo para disputar as prévias tucanas, quando foi derrotado por João Doria, ex-governador de São Paulo, mas demonstra interesse em tentar um novo mandato.

Desta forma, a tendência seria que o deputado estadual Gabriel Souza (MDB) desistisse da disputa pelo Palácio Piratini. Os tucanos também exigiam apoio em Pernambuco, Minas Gerais e Mato Grosso, mas não houve acordo.

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