Presidente do PT vê Pacheco fora e busca novo palanque para Lula em Minas

Kalil entra no radar após desgaste com Senado e impasse eleitoral

Marina Verenicz

O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante solenidade (Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

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A direção do PT passou a trabalhar com o cenário de ausência de Rodrigo Pacheco (PSB-MG) na disputa pelo governo de Minas Gerais. A avaliação foi compartilhada nesta terça-feira (5) pelo presidente da sigla, Edinho Silva, durante reunião do grupo de trabalho eleitoral do partido, responsável por definir alianças para 2026. A apuração é da Folha de S. Paulo.

A indefinição do senador ao longo dos últimos meses contribuiu para a mudança de leitura dentro do partido. Dirigentes relatam que Pacheco não avançou em movimentos concretos de pré-campanha, o que reduziu a confiança de setores petistas na viabilidade da candidatura.

O impasse ganhou novo peso após a votação que rejeitou o nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Integrantes do PT, segundo a apuração, atribuem a Pacheco participação na articulação conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que resultou na derrota do governo. O episódio ampliou o desgaste político e afetou o ambiente para uma eventual aliança em Minas.

Apesar disso, Lula ainda não descartou completamente a aproximação. Segundo relatos de aliados ouvidos pelo jornal, o presidente defende a manutenção de canais abertos e deve tentar uma nova conversa com o senador antes de encerrar as tratativas.

Com o cenário em aberto, o partido iniciou movimentos para construir uma alternativa no estado. A cúpula petista decidiu procurar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que se posiciona como pré-candidato ao governo mineiro. A negociação envolve a possibilidade de apoio mútuo entre PDT e PT na eleição local.

Minas Gerais ocupa posição central na estratégia eleitoral do governo. O estado concentra o segundo maior eleitorado do país, o que amplia a necessidade de uma candidatura competitiva alinhada ao projeto de reeleição de Lula. Sem um nome consolidado até o momento, o partido enfrenta pressão para definir rapidamente o palanque no estado.

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A primeira pesquisa Genial/Quaest de 2026 para o governo de Minas Gerais, divulgada no fim de abril, indica uma corrida com liderança clara, mas ainda distante de definição.

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece à frente em todos os cenários testados, enquanto o restante dos candidatos se distribui em patamares mais baixos e próximos entre si, com uma fatia relevante do eleitorado ainda sem decisão.

No cenário mais amplo, com dez nomes, Cleitinho soma 30% das intenções de voto. Em seguida aparecem Alexandre Kalil (PDT), com 14%, e Rodrigo Pacheco (PSB), com 8%. Os demais candidatos não ultrapassam 4%.