Pré-derrota de Messias, Alcolumbre buscou blindagem de Lula contra Master, diz jornal

Presidente do Senado teria procurado Lula para reclamar de investigações e citar riscos da colaboração de Daniel Vorcaro

Marina Verenicz

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de assinatura das nomeações de novos diretores de agências reguladoras. Palácio do Planalto – Brasília (DF). Fotos: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de assinatura das nomeações de novos diretores de agências reguladoras. Palácio do Planalto – Brasília (DF). Fotos: Ricardo Stuckert / PR

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Duas semanas antes da rejeição inédita da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria procurado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para manifestar preocupação com investigações conduzidas pela Polícia Federal e com os possíveis desdobramentos da delação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações são da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Segundo relatos feitos por aliados do senador à publicação, Alcolumbre afirmou a Lula que vinha sendo alvo de “perseguições injustas” e demonstrou preocupação específica com o conteúdo da colaboração premiada entregue nesta quarta-feira (6) por Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com interlocutores, Alcolumbre afirmou que a delação poderia trazer “mentiras e injustiças” contra ele e pediu ajuda ao presidente para evitar ser atingido pelas investigações.

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Ainda segundo os relatos, Lula respondeu que não teria como interferir em órgãos de investigação ou no Judiciário. O presidente teria dito que não controla a atuação da Polícia Federal, do Ministério Público Federal nem do Supremo Tribunal Federal, acrescentando que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, vinha atuando com responsabilidade para evitar excessos.

A conversa passou a ser reinterpretada no Palácio do Planalto após a derrota sofrida pelo governo no Senado. Em 29 de abril, Jorge Messias se tornou o primeiro indicado ao STF barrado pelo plenário da Casa em mais de um século. Nos bastidores do governo, integrantes próximos de Lula passaram a enxergar a articulação conduzida por Alcolumbre como uma reação política diante do avanço das investigações ligadas ao caso Banco Master.

Além da delação de Vorcaro, auxiliares do presidente afirmam ao jornal que o senador acompanha com atenção outras frentes investigativas que poderiam atingir seu entorno político, entre elas os apurados desvios no INSS e aplicações de cerca de R$ 400 milhões do fundo de pensão do Amapá em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.

A proposta de delação entregue por Vorcaro começou a ser analisada nesta semana pela PF e pela PGR. Conforme revelado anteriormente pela CNN, o material está dividido em anexos organizados por personagens políticos e empresariais. Investigadores esperam que a análise preliminar leve mais de dois meses antes da eventual formalização do acordo.

Procurado, Alcolumbre negou ter tratado do Banco Master com Lula. Em nota enviada por sua assessoria, o presidente do Senado afirmou que “jamais tratou do Banco Master com o presidente Lula e muito menos fez qualquer queixa ou alegação nesse sentido”.

A nota também afirma que Alcolumbre “não possui qualquer relação com o Banco Master e não é investigado, citado ou arrolado, sob nenhuma forma, em qualquer apuração relacionada ao caso”.

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A assessoria do senador criticou ainda o que chamou de “interpretações subjetivas e rumores de bastidores” usados para associá-lo às investigações.