Portugal aprova rígido orçamento para 2011 em meio a rumores de resgate

Depois da Irlanda, país é alvo de especulações de que estaria sendo pressionado para pedir pacote de ajuda para lidar com déficit

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SÃO PAULO – Depois da Irlanda, agora é a vez de Portugal ficar no foco dos mercados. Nesta sexta-feira (26), o noticiário do país atrai atenções tanto pelos rumores de um possível resgate como pela aprovação do orçamento de 2011.

O orçamento aprovado pelo parlamento é considerado austero e levou os cidadãos do país a protestarem no início da semana. Os cortes de gastos estão previstos em cerca de € 3 bilhões, enquanto a elevação dos impostos será de € 1,5 bilhão. A expectativa não apontava entraves à aprovação, com a abstenção do partido Social Democrata.

O orçamento reflete uma tentativa do governo de cortar o déficit do país de 9,3% do PIB (Produto Interno Bruto) para 4,6% do PIB em 2011 e menos de 3% até 2014, afastando assim os temores da crise fiscal que se espalham pelo continente.

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O déficit português, vale dizer, é menor do que o irlandês, e o sistema financeiro do país não enfrente dificuldades. Entretanto, os altos custos da dívida têm preocupado economistas.

Sob pressão?
O governo português negou que esteja sob pressão dos demais países da Zona do Euro e do BCE (Banco Central Europeu) para seguir os passos da Grécia e da Irlanda e pedir ajuda para equilibrar suas contas, conforme reportado pelo Financial Times alemão.

“Isso é absolutamente falso, completamente falso”, disse o presidente da Comissão Europeia e ex-primeiro-ministro português, José Manuel Barroso, em Paris. Segundo ele, um plano de resgate não foi pedido ou sugerido.

O atual primeiro-ministro do país, José Socrates, também tem negado que Portugal precise de ajuda externa, ressaltando que o governo fará todo o possível para atingir as metas de corte de déficit.

“Há entre nossos parceiros na União Europeia aqueles que acreditam que a melhor maneira de preservar a estabilidade da Zona do Euro é fazer com que os países que ficam no foco dos mercados peçam ajuda”, disse ainda o ministro da Fazenda português, Fernando Teixeira dos Santos, ao Jornal de Notícias do país.

Risco em alta
Apesar das negativas do governo do país, os prêmios de risco de Portugal, medido por bonds de 10 anos, atingiram recordes de alta durante a semana, em meio aos problemas da Irlanda.

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Nesta sexta-feira, o spread avançou 10 pontos-base, para 464 pontos, ainda abaixo do recorde de 481 pontos-base.