PoderData: Segurança impulsiona Flávio, mas tarifaço de Trump cria risco eleitoral

Maioria dos brasileiros aprova classificação de PCC e CV como grupos terroristas pelos EUA, tema associado ao senador

Marina Verenicz

Flávio Bolsonaro e Donald Trump no Salão Oval, na Casa Branca
Foto: Divulgação
Flávio Bolsonaro e Donald Trump no Salão Oval, na Casa Branca Foto: Divulgação

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A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas recebeu apoio da maioria dos brasileiros e pode reforçar a batalha pela narrativa da segurança pública, uma das principais bandeiras da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A pesquisa PoderData realizada entre 30 de maio e 1º de junho mostra que 53% dos entrevistados avaliam a medida como positiva para o Brasil. Outros 33% consideram a decisão ruim para o país, enquanto 14% não souberam responder.

O resultado surge poucos dias depois de Flávio ter se reunido com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Após o encontro, o senador afirmou que havia solicitado formalmente ao governo americano a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.

O gesto foi visto em Brasília como uma vitória política potencial para o pré-candidato do PL, sobretudo porque o tema da segurança tende a ocupar espaço central na disputa presidencial de 2026.

Discurso da soberania

Quando os Estados Unidos anunciaram a medida, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu afirmando que a classificação poderia abrir espaço para interferências estrangeiras em assuntos internos do Brasil.

O argumento, porém, enfrenta dificuldades para ganhar tração junto à opinião pública.

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Na avaliação de integrantes do governo e da oposição, a discussão sobre soberania nacional costuma ser mais abstrata para parte do eleitorado do que a promessa de combate ao crime organizado.

A palavra “terrorismo” carrega um significado imediato para a população e se conecta diretamente à preocupação crescente com violência, facções criminosas e insegurança urbana.

Nesse contexto, a decisão americana tende a ser interpretada por muitos eleitores mais como uma medida de enfrentamento ao crime do que como uma questão diplomática.

Flávio tenta colher dividendos

O resultado da pesquisa reforça uma leitura que já circulava entre aliados do senador. A avaliação é que, caso a associação entre a decisão dos EUA e a atuação de Flávio em Washington se consolide, o pré-candidato poderá se beneficiar eleitoralmente por ter colocado a segurança pública no centro de sua agenda internacional.

O encontro com Trump ocorreu em 26 de maio. Dias depois, o Departamento de Estado formalizou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

O próprio senador passou a destacar o episódio em entrevistas e manifestações públicas, apresentando-o como resultado de articulações realizadas durante sua viagem aos Estados Unidos.

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A pesquisa do PoderData sugere que, neste momento, a pauta da segurança encontra mais respaldo popular. O impacto político da disputa comercial, porém, ainda dependerá dos próximos passos da negociação entre Brasília e Washington.

O levantamento ouviu 2.500 pessoas em 166 municípios entre os dias 30 de maio e 1º de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.