Plano de Obama supera US$ 900 bilhões e republicanos pedem corte para aprová-lo

Democratas enfrentam atritos para conseguir aprovação da medida no Senado, e podem anunciar mudanças nesta sexta

SÃO PAULO – O Senado dos EUA adiou pelo menos até sexta-feira (6) a votação do plano de estímulo econômico de Barack Obama, sem ainda entrar em consenso sobre de quanto será a ajuda oferecida pelo governo norte-americano. Na véspera, legisladores falharam na hora de fechar o tamanho da conta, que já ultrapassou os US$ 900 bilhões.

Desde a aprovação na Casa dos Representantes no mês passado, o pacote de então US$ 819 bilhões partiu para mais de US$ 930 bilhões com a inclusão de cláusulas sobre benefícios fiscais ao setor automotivo e à construção civil, além de serem alocadas também verbas complementares para o National Institutes of Health.

A bancada republicana se mostrou incomodada com o atual tamanho da medida e com isso vem apresentando resistência para aprovar a liberação do recurso. O líder do Senado, Harry Reid, afirmou na última quinta-feira que não medirá esforços para tentar atender as exigências dos opositores de reduzir em US$ 50 bilhões o total do plano de ajuda.

Ajuda mais “enxuta”

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Em entrevista dada à Bloomberg na última quinta-feira, a senadora Susan Collins foi além das palavras de Harry Reid e afirmou que para conseguir a adesão de seus colegas republicanos o pacote não poderá passar dos US$ 800 bilhões. “Nós estamos falando de uma redução realmente substancial na conta”, defendeu a autoridade.

Para conseguir que o plano passe pelo Senado, os democratas terão que conseguir 60 votos a favor. Como o partido conta apenas com 58 assentos na casa, pelo menos dois votos terão que sair do Partido Republicano, criando com isso o impasse. A atenção do presidente já foi chamada e, na véspera, Barack Obama voltou a discursar.

“Se nós não aprovarmos rapidamente o American Recovery and Reinvestment Act [o plano de ajuda econômica], a economia que hoje está em crise poderá entrar em uma verdadeira catástrofe”, defendeu o presidente. “Milhões de pessoas ficarão sem emprego, casas serão perdidas e famílias deixarão de ter cuidados médicos. Esse será o preço da inércia”.