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A duas semanas do início das convenções partidárias, a definição dos candidatos a vice-presidente entrou na reta final e passou a refletir diferentes estratégias dos presidenciáveis para ampliar alianças, sinalizar prioridades de campanha e consolidar seus projetos eleitorais. Dentre eles, porém, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vive um dilema: encontrar uma mulher capaz de ampliar sua competitividade junto ao eleitorado feminino e, ao mesmo tempo, que ajude a reorganizar o campo bolsonarista após a crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve Geraldo Alckmin (PSB) na chapa à reeleição. Ronaldo Caiado (PSD) anunciou o presidente do partido, Gilberto Kassab, como vice. Um dia depois, Renan Santos (Missão) escolheu o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina (Missão) para compor sua chapa. Dos principais presidenciáveis, ainda não bateram o martelo Flávio e Romeu Zema (Novo).

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No caso do senador do PL, a escolha da vice deixou de representar apenas uma composição eleitoral e passou a funcionar como um dos principais instrumentos de articulação política da pré-campanha. A avaliação de aliados é que o nome escolhido precisará cumprir múltiplas funções como ampliar o alcance da candidatura entre mulheres, acomodar diferentes correntes do bolsonarismo e demonstrar que a campanha conseguiu superar a crise aberta com Michelle, considerada internamente um dos principais desgastes enfrentados por Flávio.
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Entre os nomes que ganharam força nas últimas semanas está o da ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Filiada ao Republicanos desde abril, ela reúne perfil técnico, boa interlocução com o mercado financeiro, coordena parte da elaboração do programa econômico e do plano de governo voltado ao eleitorado feminino e mantém uma relação próxima com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Interlocutores do PL avaliam que uma eventual indicação da economista também poderia facilitar a interlocução com o Republicanos, partido considerado estratégico para ampliar o apoio à candidatura. A negociação, porém, ainda depende da definição dos palanques estaduais.
Apoio nos estados
Presidente do Republicanos, Marcos Pereira afirma que o partido não iniciou uma conversa sobre uma eventual indicação de Daniella para a vice-presidência e condicionou qualquer avanço ao entendimento sobre os estados.
— A prioridade é eles apoiarem nossos candidatos. Para tratar de vice, precisa superar essa fase. Precisam apoiar nossos pré-candidatos a governador em Mato Grosso, Acre, Espírito Santo e Roraima.
Quem também aparece como cotada é a deputada Bia Kicis (PL-DF). Próxima de Michelle e identificada com a ala mais fiel do bolsonarismo, Bia passou a ser vista por integrantes do partido como um nome capaz de dialogar com os dois lados da crise. Embora seja amiga da ex-primeira-dama, ela participou do café da manhã promovido por Flávio com deputadas e lideranças conservadoras na semana passada e deverá integrar as próximas reuniões da pré-campanha em São Paulo. Integrantes do PL afirmam que a capacidade de Bia Kicis de transitar entre o núcleo de Michelle e a campanha de Flávio passou a ser um dos principais ativos políticos da deputada.
Outra parlamentar que permanece no radar é Júlia Zanatta (PL-SC). Defendida publicamente por Eduardo Bolsonaro, ela reúne apoio entre a militância bolsonarista. Mas integrantes da campanha, porém, avaliam reservadamente que sua escolha teria dificuldade para ampliar o alcance eleitoral de Flávio para além da base mais ideológica do partido.
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Outros nomes permanecem no horizonte com perfis distintos. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) é vista como uma possibilidade de aproximação com o agronegócio e partidos de centro, embora afirme reservadamente que não recebeu convite e que sua prioridade é a disputa pela presidência do Senado.
Já a deputada Simone Marquetto (PP-SP) representa outro tipo de ativo político. Ex-prefeita de Itapetininga (SP), ela é vista como um elo com prefeitos do interior paulista:
— Se meu nome for escolhido, a experiência com o Executivo municipal vai ser minha grande entrega.
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Interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que uma eventual indicação de Simone fortaleceria a interlocução com o PP, partido que ainda não definiu oficialmente qual posição adotará na disputa presidencial. Nos próximos dias, a deputada deve se reunir com o presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PP-PI), para discutir o pleito.
Vice de Zema indefinida
O outro presidenciável da direita que ainda não definiu seu companheiro de chapa é Romeu Zema. No início da pré-campanha, aliados chegaram a discutir uma composição dele com Flávio. Zema foi tratado como um possível vice do senador e ambos fizeram aparições públicas juntos, alimentando a possibilidade de uma chapa unificada da direita. A aproximação foi interrompida após o caso “Dark horse”, envolvendo o pedido de recursos feito por Flávio a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde então, Zema passou a endurecer o discurso contra o senador, e chegou a classificar o episódio como “imperdoável”, além de chamar Vorcaro de “bandido” e afirmar ter se sentido traído pelo episódio, alegando que o Novo havia recebido do PL a garantia de que Flávio não mantinha relação com o banqueiro. Apesar das críticas, Zema afirma que apoiaria o senador num eventual segundo turno contra o presidente Lula.
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O episódio esfriou as conversas entre os dois e também criou desgastes entre PL e Novo em alguns estados onde há alianças regionais, como o Paraná. Hoje, interlocutores da campanha de Zema afirmam que o empresário Geraldo Rufino, filiado ao Podemos, é um dos nomes cotados a vice.
Outra possibilidade é a presidente do partido, deputada Renata Abreu (Podemos-SP), cuja experiência política, articulação nacional e liderança sobre a legenda são vistas como ativos para uma eventual composição. A expectativa é que a decisão seja tomada ao longo deste mês, mais perto das convenções partidárias.