PL vai ao TSE para barrar pesquisa AtlasIntel que mostrou queda de Flávio Bolsonaro

Partido acusa instituto de induzir respostas negativas ao exibir áudio sobre caso Vorcaro durante levantamento eleitoral

Marina Verenicz

O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixa o prédio da Polícia Federal em Brasília, após visitar o pai, em 9 de dezembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado
O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixa o prédio da Polícia Federal em Brasília, após visitar o pai, em 9 de dezembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado

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O PL acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, publicada nesta terça-feira (19), que apontou queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a repercussão do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na ação, o partido afirma que o questionário da pesquisa foi construído para induzir respostas negativas contra o pré-candidato do PL à Presidência da República. A legenda sustenta que o levantamento extrapolou o papel de medição de opinião pública ao inserir perguntas sequenciais sobre o Banco Master e reproduzir um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro.

Segundo o partido, oito das 48 perguntas do levantamento tratavam diretamente das conversas entre Flávio e Vorcaro. A defesa afirma que houve uso de mecanismos de “priming”, “framing” e “ancoragem” para associar o senador a supostas fraudes financeiras investigadas pela Polícia Federal.

O pedido apresentado ao TSE cita que o questionário construiu uma sequência temática envolvendo “fraude financeira”, “escândalo do Banco Master”, “mensagens vazadas” e “impacto eleitoral”, antes de abordar confiança, rejeição e intenção de voto.

“O questionário constrói uma progressão: medo eleitoral; comparação Lula x Flávio; fraude financeira; Banco Master; Daniel Vorcaro; conversas vazadas; possível envolvimento direto; impacto sobre voto; enfraquecimento da candidatura; retirada da candidatura”, afirma o PL.

O partido também questiona a exibição de um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro dentro da pesquisa. Segundo os advogados, o material audiovisual não teria cadeia de custódia comprovada, autenticidade periciada nem documentação completa anexada ao registro do levantamento.

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Para o PL, a reprodução do conteúdo deixou de ser uma ferramenta de aferição de opinião e passou a funcionar como estímulo negativo ao entrevistado.

A legenda pediu liminar para impedir a divulgação da pesquisa e requereu acesso aos microdados do levantamento, ao sistema interno da AtlasIntel, aos registros de aplicação do questionário e aos arquivos relacionados ao áudio apresentado aos entrevistados.

O partido ainda solicita eventual aplicação de multa ao instituto por supostas irregularidades metodológicas e, alternativamente, quer que futuras divulgações tragam ressalvas sobre o caráter “estimulativo” das perguntas.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que Flávio Bolsonaro caiu seis pontos percentuais em um cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador aparece com 41,8% das intenções de voto, enquanto Lula soma 48,9%.

A divulgação ocorreu dias após reportagens revelarem mensagens e áudios em que Flávio cobrava pagamentos de Daniel Vorcaro relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nas redes sociais, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, rebateu as críticas feitas pelo partido e afirmou que o áudio foi exibido apenas após a conclusão das perguntas eleitorais.

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“Não há nenhum problema metodológico”, escreveu Roman no X. Segundo ele, o objetivo era medir em tempo real o impacto do episódio sobre a percepção do eleitorado.

O executivo também afirmou que a AtlasIntel mantém “postura imparcial” em suas pesquisas no Brasil e no exterior.