PL quer convocar diretor da PF após troca em inquérito envolvendo o Lulinha

Mudança no comando das investigações que atingem o filho do ex-presidente amplia pressão da oposição sobre Andrei Rodrigues

Marina Verenicz

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A troca da equipe da Polícia Federal responsável pelas investigações sobre fraudes no INSS abriu uma nova frente de atrito político entre oposição e governo Lula. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que vai apresentar um requerimento para convocar o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, a prestar esclarecimentos ao Congresso.

O movimento ocorre após a PF retirar da condução do caso o setor que vinha conduzindo os inquéritos, inclusive etapas relacionadas ao pedido de quebra de sigilo envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão provocou reação imediata da oposição, que passou a questionar os motivos da mudança em uma fase considerada sensível da apuração.

Por se tratar de convocação formal, a eventual aprovação do requerimento obrigaria Andrei Rodrigues a comparecer à Câmara. Sóstenes ainda não definiu em qual comissão pretende apresentar o pedido.

Em publicação nas redes sociais, o deputado afirmou que a alteração no comando das investigações gera “questionamentos legítimos” e cobrou tratamento semelhante ao dado a episódios envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O parlamentar citou diretamente a crise de 2020, quando Bolsonaro tentou substituir o comando da Polícia Federal no Rio de Janeiro em meio a investigações envolvendo familiares e aliados políticos.

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“Quando Jair Bolsonaro tentou substituir um superintendente da Polícia Federal, houve reação imediata de setores políticos, da imprensa e até do STF sob o argumento de defesa da autonomia da PF. Agora, diante da troca do delegado responsável por investigações ligadas ao filho do atual presidente da República, o silêncio de muitos chama atenção”, escreveu Sóstenes.

O líder do PL também afirmou que a convocação busca garantir “explicações claras” sobre o episódio e assegurar que não haja interferência política nas apurações.

A Polícia Federal, por sua vez, nega qualquer motivação política na mudança.

Em nota, a corporação afirmou que a transferência dos inquéritos para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq) foi feita para dar “maior eficiência e continuidade” às investigações. Segundo a PF, a Cinq possui estrutura permanente voltada especificamente para casos complexos em tramitação no Supremo Tribunal Federal.