PGR fecha primeira delação do caso Master com fundador da Reag

João Carlos Mansur apresentou provas sobre suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro; acordo ainda precisa ser homologado pelo STF

Publicidade

A Procuradoria-Geral da República (PGR) assinou o primeiro acordo de colaboração premiada da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas envolvendo o Banco Master. O delator é João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da Reag Investimentos. A informação foi confirmada pela CNN Brasil.

O acordo ainda precisa ser homologado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a emissora, Mansur apresentou provas e informações consideradas novas sobre os fatos investigados e sobre a atuação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. A avaliação entre investigadores é de que o material pode abrir novas frentes de apuração.

Mansur conseguiu fechar o acordo cerca de uma semana depois de sua defesa protocolar a proposta. A rapidez contrasta com as tentativas feitas pelo próprio Vorcaro.

O banqueiro já apresentou ao menos duas propostas formais de colaboração à PGR e à Polícia Federal (PF), mas não houve acordo. Até agora, os investigadores avaliaram que as informações oferecidas por ele não acrescentavam elementos suficientes ao que já havia sido descoberto.

Posição importante

A posição ocupada pela Reag nas operações investigadas torna Mansur um personagem relevante para reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro. A gestora, liquidada pelo Banco Central em janeiro, administrava fundos que aparecem em transações investigadas pela Compliance Zero.

Continua depois da publicidade

Uma das suspeitas é de que recursos liberados pelo Master para empresas fossem posteriormente direcionados a fundos ligados à Reag. A sequência de operações teria criado diferentes camadas entre a origem do dinheiro e seu destino final. Cabe às investigações determinar a finalidade dessas movimentações e eventuais responsabilidades.

O nome de Mansur também aparece em mensagens relacionadas à compra de ingressos para familiares do senador Jaques Wagner (PT-BA) assistirem a um show na Califórnia. O pagamento, de R$ 63,3 mil, teria sido feito pela Reag.

Elo com a Carbono Oculto

Mansur também é investigado em outra frente. Ele foi alvo de busca e apreensão na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para investigar a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em atividades econômicas.

Continua depois da publicidade

As duas investigações se cruzam em operações financeiras envolvendo a Reag e o Master.

Segundo as apurações, investigados ligados às empresas Áster Petróleo e Copape teriam aplicado cerca de R$ 700 milhões em carteiras de crédito consignado do Banco Master por meio de fundos estruturados e administrados pela Reag.

Os investigadores apuram se recursos de origem criminosa passaram por essas estruturas para adquirir aparência de operações financeiras regulares.

Continua depois da publicidade

Autor avatar
Marina Verenicz
Política | Brasil | Mundo