Pedra no Caminho

PF deflagra nova operação contra desvios no Rodoanel; ex-secretário de Alckmin é alvo de mandado de prisão

Ex-diretor da Dersa, alvo de prisão principal é Laurence Casagrande Lourenço, que atualmente preside a Cesp

A Polícia Federal (PF) deflagra nesta quinta-feira (21) a Operação Pedra no Caminho, que apura desvio de recursos públicos nas obras do trecho norte do Rodoanel, em São Paulo.

São cumpridos 15 mandados de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão na capital paulista e nas cidades de Carapicuíba, Arujá, Bofete, Ribeirão Preto e São Pedro, além de Marataízes e Itapemirim, no Espírito Santo.

O alvo de prisão principal é Laurence Casagrande Lourenço. Ele é ex-diretor presidente da Dersa, estatal responsável pelas rodovias do Estado de São Paulo e atualmente preside a Cesp (CESP6). No último ano, acumulou o cargo de secretário de Transportes e Logística do governo Geraldo Alckmin (PSDB), que deixou o cargo em abril e lançou sua pré-candidatura à presidência.  

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O inquérito policial foi instaurado em 2016, após denúncia de um ex-funcionário de uma empresa que atuou nas obras. Ele apontou manipulações em termos aditivos ao contrato da obra, com o objetivo de aumentar o valor pago às empreiteiras.

Os aditivos contratuais, na fase de terraplanagem, eram para a remoção de rochas, mesmo que o projeto inicial já contemplasse o custo dessa remoção. A irregularidade gerou sobrepreço de mais de R$ 131 milhões.

Segundo perícia da Polícia Federal e relatórios do Tribunal de Contas da União e da Controladoria-Geral da União, um dos cinco lotes onde houve aditivos para a remoção de rochas teve sobrepreço de R$ 33 milhões.

“Para maquiar o sobrepreço adotou-se a prática de “jogo de planilhas”, expediente comum em fraudes a licitações com muitos itens contratados de forma global, em que o licitante oferece preço acima do mercado para alguns itens e abaixo da referência para outros, de modo a colocar-se artificialmente como menor preço global. Esse expediente é comum em fraudes às licitações”, aponta o Ministério Público Federal.

Os acusados vão responder pelos crimes de fraude à licitação, estelionato contra o poder público, falsidade ideológica e associação criminosa, conforme as suas participações. Os presos permanecerão na sede da PF em São Paulo, à disposição da Justiça Federal.

(Com Agência Brasil)