PF aponta uso de hackers, IA e milicianos em estrutura ligada a Vorcaro

Investigação sobre o Banco Master descreve núcleos de intimidação física e ataques digitais usados para monitorar adversários e derrubar perfis nas redes

Marina Verenicz

(Foto: Divulgação/Polícia Federal)
(Foto: Divulgação/Polícia Federal)

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A Polícia Federal detalhou como funcionaria a suposta estrutura criada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro envolvendo ataques cibernéticos, falsificação de documentos públicos, monitoramento ilegal e grupos de intimidação física.

Relatórios obtidos pela PF descrevem atividades de grupos compostos por hackers, policiais, milicianos e operadores financeiros que atuariam para proteger interesses ligados ao fundador do Banco Master.

As informações vieram a público neste domingo (17), em reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, com base em documentos da sexta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo os investigadores, o esquema era dividido em dois braços principais. Um deles atuava no ambiente digital, usando tecnologia e inteligência artificial para ataques virtuais, derrubada de perfis e monitoramento clandestino. O outro realizava ações presenciais de pressão e intimidação.

Grupo usava hackers e IA

O núcleo digital era conhecido internamente como “Os Meninos”. A PF afirma que o grupo realizava invasões cibernéticas, rastreamento de informações e operações para retirada de conteúdos e perfis da internet.

A investigação aponta David Henrique Alves, de 23 anos, como responsável pela coordenação do braço tecnológico. Segundo a PF, ele recebia R$ 35 mil por mês.

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David chegou a ser abordado pela Polícia Rodoviária Federal em março, no mesmo dia da prisão de Daniel Vorcaro, transportando um computador de mesa e três notebooks. Como não havia ordem judicial contra ele naquele momento, acabou liberado. Desde quinta-feira (14), porém, é considerado foragido.

Outro investigado é Victor Lima Sedlmaier, preso em Dubai em operação conjunta envolvendo autoridades brasileiras, dos Emirados Árabes Unidos e da Interpol.

Em depoimento após desembarcar no Brasil, Victor afirmou que prestava serviços tecnológicos ao grupo desde 2024 e desenvolvia softwares para a estrutura. Disse ainda que recebia salário mensal de R$ 2 mil, além de bonificações.

Intimidação física

O segundo braço da estrutura era chamado de “A Turma” e, segundo a PF, funcionava como núcleo operacional de pressão física contra desafetos e pessoas consideradas ameaças aos interesses de Vorcaro.

Os investigadores afirmam que o grupo reunia policiais federais da ativa e aposentados, bicheiros e milicianos.

A PF aponta Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, como responsável por financiar e operar essa estrutura. Entre os episódios citados está uma suposta ação direcionada ao jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

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A reportagem exibida pela TV Globo também apresentou relatos de antigos funcionários de Vorcaro em Angra dos Reis. Um ex-capitão de iate afirmou ter sido abordado por homens usando coturnos e roupas pretas. Já um ex-chef de cozinha relatou que foi procurado dentro de um hotel por pessoas que diziam agir em nome do ex-banqueiro.