PF ainda examina contas de Lulinha três meses após autorização do STF

Filho do presidente nega ter cometido qualquer crime ou envolvimento com as fraudes no INSS

Agência O Globo

(Foto: Divulgação/Polícia Federal)
(Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Publicidade

Três meses após a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para a quebra de sigilo, a Polícia Federal (PF) ainda analisa as contas bancárias de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em busca de indícios de pagamentos mensais que teriam sido feitos pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

A perícia ocorre na investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A apuração busca confirmar o depoimento de uma testemunha que afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS que o empresário teria realizado repasses mensais de cerca de R$ 300 mil a Lulinha. Segundo o relato, os pagamentos seriam recorrentes e fariam parte de uma relação mais ampla entre o lobista e o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Investigadores ouvidos no caso, no entanto, admitem limitações na análise. De acordo com pessoas ligadas à apuração, eventuais transferências feitas em dinheiro em espécie ou por meio de contas de terceiros podem não ser identificadas.

Em janeiro, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso envolvendo o escândalo do INSS, autorizou a quebra de sigilo de Fábio Luís após um pedido da PF e apesar do parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Advogado de Fábio Luís, Guilherme Suguimori afirmou que acompanha o caso desde a apresentação do relatório da PF. Na época, a defesa pediu acesso aos autos, mas não houve apreciação por parte de Mendonça.

Continua depois da publicidade

— Prestamos esclarecimentos por petição e aguardamos desenvolvimento de investigações. Estamos aguardamos com tranquilidade e calma — disse.

Lulinha nega ter cometido qualquer crime ou envolvimento com as fraudes no INSS.

Engavetado por parlamentares, o relatório da CPI do INSS chegou a pedir o indiciamento de Lulinha por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência. O texto citava que a investigação conduzida pela PF demonstrava que o Careca do INSS “cultivava uma relação de proximidade com Fábio Luís Lula da Silva que transcendia os limites de uma simples amizade ou convívio social”.

Em janeiro deste ano, a PF informou ao STF que apurava citações a Lulinha no inquérito sobre fraudes no INSS. À época, a corporação afirmou que não havia indícios de envolvimento direto do empresário nas irregularidades investigadas, mas mencionou a possibilidade de um vínculo indireto, que seria analisado no curso das investigações.

Na mesma manifestação, a PF ressaltou que, até aquele momento, não havia indícios de que Lulinha estivesse diretamente envolvido nas condutas relacionadas aos descontos associativos fraudulentos investigados no âmbito do INSS.

As investigações também alcançaram a empresária Roberta Luchsinger, alvo de busca e apreensão em dezembro do ano passado.

Continua depois da publicidade

Ela é apontada como integrante do chamado “núcleo político” do grupo investigado. Segundo a PF, sua atuação seria relevante para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas para a lavagem de capitais.