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A Polícia Federal informou que vai concluir ainda neste mês uma parte das investigações da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes envolvendo descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os primeiros relatórios finais serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto as demais frentes da investigação continuam em andamento.
Segundo o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali, os primeiros relatórios contemplarão os núcleos da investigação que já possuem materialidade e autoria suficientemente consolidadas.
— Em muito breve, vão ser apresentados os relatórios mais maduros da Sem Desconto, com materialidade suficiente e autoria. E a gente já pretende entregar esses relatórios ainda neste mês — afirmou.
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A investigação é dividida em diferentes frentes e, como há investigados presos há mais tempo, a Polícia Federal precisa concluir prioritariamente esses inquéritos e encaminhar os relatórios ao Supremo. Ao mesmo tempo, as diligências seguem sobre os demais fatos e investigados.
Ao comentar o andamento da investigação, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, destacou a dimensão da Operação Sem Desconto e afirmou que a prioridade neste momento é concluir as apurações relacionadas aos presos.
— Essa operação já teve nove fases, 419 mandados de busca e apreensão e cerca de 40% desse material foi analisado. Nós temos hoje 27 pessoas presas. Inclusive, por previsão legal, precisam ser prioritariamente concluídas as investigações — explicou.
Andrei também foi questionado sobre a investigação envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que teve quebra de sigilo bancário autorizada em janeiro, após uma testemunha afirmar que lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, teria feito repasses mensais de cerca de R$ 300 mil ao empresário.
Sem comentar o caso específico, o diretor-geral afirmou que o objeto principal do inquérito continua sendo o esquema de descontos associativos irregulares, mas disse que a PF investiga todos os fatos conexos.
— A hipótese criminal que temos no nosso inquérito é de um esquema de desconto associativo não autorizado, mas isso não impede que a gente investigue quaisquer outras circunstâncias que sejam laterais a esse episódio, que é o que temos feito nesse caso que você cita e que poderia citar mais uma dezenas de outros que têm outras PETs [petições] e ações em curso. O tratamento que se dá a todos os casos é o tratamento legal, dentro da autonomia que a equipe de investigação tem e da responsabilidade funcional — disse.
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Em janeiro deste ano, a PF informou ao STF que apurava citações a Lulinha no inquérito sobre fraudes no INSS. À época, a corporação afirmou que não havia indícios de envolvimento direto do empresário nas irregularidades investigadas, mas mencionou a possibilidade de um vínculo indireto, que seria analisado no curso das investigações.
Na mesma manifestação, a PF ressaltou que, até aquele momento, não havia indícios de que Lulinha estivesse diretamente envolvido nas condutas relacionadas aos descontos associativos fraudulentos investigados no âmbito do INSS.