Pesquisa revela que 15% dos usuários do SUS em São Paulo pagam plano privado

Para vice-presidente da APM (Associação Paulista de Medicina), fato é decorrente da falta de cobertura dos planos

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SÃO PAULO – Pesquisa realizada pelo Ibope revela que 15% dos moradores da cidade de São Paulo que usam o sistema público de saúde pagam por um plano.

De acordo com o vice-presidente da APM (Associação Paulista de Medicina), Florisval Meinão, existe um conjunto de fatores que leva a este tipo de comportamento. “O primeiro deles é que pessoas que possuem planos anteriores à Lei 9.656/98 não têm cobertura integral. Então, para essas coberturas que ficaram de fora, eles procuram o sistema público”, explica.

Além disso, ele justifica a atitude dos cidadãos pela falta de cobertura de determinados transplantes e pela existência do plano hospitalar, que não dá direito às consultas, as quais acabam sendo feitas pelo SUS.

Classe social

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A pesquisa do Ibope ainda mostrou que 34% das 979 pessoas entrevistadas na classe AB possuem plano privado e recorrem ao sistema público de saúde. No caso da classe C, por sua vez, são 15% das 1.783 pessoas ouvidas que têm o mesmo costume.

Já nas classes da base da pirâmide social, a DE, 7% dos 395 entrevistados disseram usar serviço público e pagar por um plano privado. “O plano de saúde não dá vacinas e medicamentos, por isso, a pessoa com menor renda que não consegue pagar vai recorrer ao sistema público”, diz Meinão.

Novas regras

Segundo Meinão, outro motivo para as pessoas, mesmo contando com um plano de saúde, ainda recorrerem ao sistema público, é o fato de, até um tempo atrás, estes planos não oferecerem serviço de profissionais como fonoaudiólogos, fisioterapeutas e psicólogos.

Desde abril, no entanto, com a inclusão de novos procedimentos nos planos de saúde, esse tipo de serviço passou a ser oferecido. O problema é que a consulta a esses médicos é limitada. “São apenas seis consultas, sendo que o tratamento leva meses”, afirma Meinão.

A mesma opinião é dividida pela advogada do Idec, Daniela Trettel, que disse que o número de consultas era apenas uma ‘amostra grátis’. Ela afirmou que a saúde não deve ser curativa, mas preventiva, o que é bom para as operadoras. “Quantas consultas não poderiam ser pagas se evitassem uma cirurgia bariátrica, que é a de redução de estômago, com idas ao nutricionista?”, questionou.

Restrições

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, realizada pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) entre 2 e 11 de maio, 43% dos 50 mil médicos que trabalham com plano de saúde já sofreram restrições.

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Os dados mostram que 82% deles receberam um ‘não’ ao pedido de internação, exames, procedimentos ou insumos. Outros 81% sofreram intervenção quanto a procedimentos ou medidas terapêuticas e 59% quanto a doenças preexistentes.