Percepção da inflação dispara e amplia desafio de Lula na reeleição, mostra PoderData

Em seis meses, aumentou a parcela dos brasileiros que vê alta nos preços e espera novas pressões sobre o custo de vida, embora a avaliação da situação financeira pessoal ainda resista

Marina Verenicz

(Foto: Jakub Żerdzicki /  Unsplash)
(Foto: Jakub Żerdzicki / Unsplash)

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A inflação voltou a ocupar o centro das preocupações do eleitor. Pesquisa PoderData realizada entre 18 e 20 de julho divulgada nesta quarta-feira (29), mostra que a percepção de alta nos preços se intensificou nos últimos meses e passou a atingir a maioria dos brasileiros, em um cenário que tende a manter a economia como um dos principais temas da disputa presidencial de 2026.

Segundo o levantamento, 69% dos entrevistados afirmam que os gastos com compras de supermercado e o pagamento de contas aumentaram nas últimas semanas. Em dezembro de 2025, esse percentual era 51%, o que representa uma alta de 18 pontos percentuais em apenas seis meses.

Outros 16% disseram que os preços permaneceram estáveis, enquanto 8% afirmaram que houve queda. O restante não soube responder.

Pessimismo avança

O PoderData mostra que 63% dos brasileiros acreditam que os preços continuarão subindo nas próximas semanas. Em dezembro, essa percepção era compartilhada por 45% dos entrevistados.

Ao mesmo tempo, caiu o número dos que esperam estabilidade. Hoje, 19% acreditam que os preços permanecerão no mesmo patamar, enquanto 11% projetam redução do custo de vida.

A mudança de expectativa costuma ter peso político porque influencia decisões de consumo e afeta a percepção sobre o desempenho da economia, independentemente dos indicadores oficiais.

Os resultados sugerem que o eleitor tem sentido com mais intensidade a inflação no cotidiano, especialmente em despesas recorrentes como alimentação e contas domésticas.

Esse movimento também aparece na avaliação da situação econômica das famílias. Segundo o PoderData, cresceu 23 pontos percentuais, em seis meses, a parcela dos entrevistados que afirma ter percebido piora na própria condição financeira.

O avanço dessa percepção acompanha o aumento das preocupações com o custo de vida e reforça a dificuldade do governo em transformar indicadores macroeconômicos favoráveis em sensação de melhora para a população.

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O desafio eleitoral de Lula

A economia permanece como um dos principais ativos — e também um dos principais riscos — para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Historicamente, presidentes buscam disputar eleições em ambientes nos quais a população percebe melhora na renda e redução da pressão inflacionária. Os dados do PoderData mostram que essa percepção segue caminhando na direção oposta quando o tema é inflação.

Ao mesmo tempo, o levantamento revela um quadro menos linear do que parece à primeira vista. Embora a maioria relate aumento dos preços e espere novas altas, a percepção sobre a situação financeira pessoal continua relativamente mais resiliente. Isso indica que parte dos eleitores diferencia a pressão provocada pela inflação da avaliação que faz da própria condição econômica.

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Essa dissociação ajuda a explicar por que o debate econômico tende a permanecer no centro da campanha presidencial. O governo precisará convencer o eleitor de que a melhora dos indicadores oficiais será percebida também no orçamento doméstico, enquanto a oposição deve explorar justamente a diferença entre os números da economia e a experiência cotidiana das famílias.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Foram entrevistadas 2.500 pessoas por telefone, entre celulares e linhas fixas, em 147 municípios das 27 unidades da Federação, entre os dias 18 e 20 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.