Parlamentares e delegados repudiam fala de Lula sobre delegacias e celulares roubados

Presidente sugeriu ser mais seguro devolver celulares roubados em Correios que em delegacias

Estadão Conteúdo

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, no Palácio Itamaraty, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert / PR

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A Frente Parlamentar da Segurança Pública e a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) divulgaram notas de repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Conselhão, na quarta-feira (10). O petista sugeriu ser mais seguro devolver celulares roubados nos Correios do que em delegacias. Também associou a compra de produtos roubados à população de baixa renda.

“Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”, disse Lula ao justificar a escolha do Correios para receber aparelhos devolvidos pelo programa Telefone Seguro. A proposta do governo é enviar mensagens aos celulares roubados, com informações para a devolução.

A Frente Parlamentar, presidida pelo deputado Alberto Fraga (PL-DF), classificou as declarações como ataques injustificados à honra e à credibilidade de milhares de policiais civis. A nota afirma que “generalizações dessa natureza enfraquecem a confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança pública”.

A Adepol, por sua vez, destacou que a apreensão e custódia de celulares em delegacias seguem procedimentos legalmente estabelecidos, sujeitos à fiscalização do Judiciário e do Ministério Público. A entidade considerou “inadequada, injusta e descontextualizada” qualquer generalização que comprometa a confiança nas instituições policiais.

No mesmo dia, Lula disse os compradores de celulares roubados são os pobres. “Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata? Todo mundo gosta”, afirmou o presidente.

A Frente Parlamentar também criticou essa fala e a classificou como uma associação genérica e preconceituosa entre a população de baixa renda e o crime de receptação (quando alguém adquire, oculta, transporta ou vende um produto que sabe ser de origem ilícita).

“Trata-se de uma generalização incompatível com o respeito à dignidade humana e com os princípios constitucionais da igualdade e da não discriminação”, afirma a nota.

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