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Para economistas, inflação não deve ceder sem austeridade fiscal

Mais do que alta de preços internacionais de commodities ou demanda aquecida, inflação é atrelada a questão fiscal brasileira

SÃO PAULO – Entender a inflação não é tão fácil assim. Embora as explicações convirjam sempre para a questão de como a alta dos preços prejudica a atividade econômica e a sociedade como um todo, há inúmeras vertentes que tentam destrinchar sua evolução na economia e suas causas – recentemente, o preço das commodities tem sido apontado como o principal culpadoMas . No caso brasileiro, pode-se dizer que a atual alta dos preços é, também, um problema fiscal.

O Copom (Comitê de Política Monetária) se reuniu na última quarta-feira (20) e decidiu por mais um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros na tentativa de resfriar a demanda. Ariadne Vitoriano, analista da Rosenberg, explica que quando os gastos do Governo estão muito elevados, tendem a estimular a demanda – e é exatamente o que está acontecendo no País. Assim, mais do que executar uma política monetária com eficiência, o Brasil precisa buscar uma política fiscal igualmente eficiente.

Uma questão fiscal
Alcides Leite, professor de economia da Trevisan, explica que o Governo brasileiro gasta demais – mais do que arrecada – e ao injetar muito dinheiro na economia, isso movimenta a demanda. Com muito dinheiro em circulação, as pessoas gastam mais, porém a oferta não cresce no mesmo nível e, logo, há um excesso de procura que não pode ser suprido.

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O professor de macroeconomia da Fipecafi, Silvio Paixão, explica esse problema fiscal por dois diferentes ângulos. O primeiro deles é o lado das receitas. Como o faturamento do Governo não cresce na velocidade do custo, ou seja, a arrecadação não acompanha os gastos, isso gera um problema na economia, que é a inflação. Na realidade, ao injetar dinheiro na economia, as pessoas ganham mais, mas precisam se defender da alta dos preços, então seu poder de compra é limitado.

Pelo lado das saídas, esse aumento de gastos eleva o custo da dívida. Logo, a despesa que é correlacionada a índices de inflação também aumenta. Nesse ponto, Eduardo Coutinho, coordenador do curso de Administração da IBMEC-MG, explica que quando o volume de endividamento cresce, o risco de calote também cresce.

O professor afirma que a dívida líquida do País é 40% do PIB (Produto Interno Bruto), o que não é algo assustador quando comparado com países como EUA e Japão, mas o problema é que aqui o prazo é muito curto, sendo que esse volume de dívida é gerado em 40 meses, pressionando a inflação.

Necessidade de ajuste
Para os economistas ouvidos pela InfoMoney, é consenso que o ajuste fiscal é essencial para que o Governo consiga combater a inflação. “O ponto crucial dessa equação é a austeridade fiscal”, declarou Coutinho. Para Leite, o primeiro passo já foi dado, pois ao menos o Governo está colocando em seu discurso essa preocupação, a necessidade de controlar gastos.

Paixão avalia que a política monetária só poderá ser bem determinada quando houver um controle no fluxo de caixa do Governo, com a redução de custos.

Além disso, no País, há algumas questões políticas envolvidas, pois no processo de decisão orçamentária não há coordenação entre Executivo e Legislativo, com uma tendência marcante de superestimação de receita. Assim, ao invés de os gastos acompanharem a receita, na verdade é a receita que tem que acompanhar os gastos no Brasil. Evoluir nesse sentido também é fundamental para que gastos sejam cortados.

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O Governo vai conseguir?
Para Coutinho, ainda restam dúvidas em relação à capacidade de cumprimento do corte anunciado. “Não sei qual é o interesse daqueles que formulam as políticas públicas. Ao mesmo tempo em que se anuncia um corte de R$ 50 bilhões, se faz um aporte considerável ao BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Já para o professor da Trevisan, tudo indica que o Governo terá sucesso. “A situação da inflação está realmente preocupante e o Governo está preocupado com isso. Ele vai fazer o que puder para controlar a alta dos preços”.