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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quarta-feira

Confira ao que se atentar antes da abertura do mercado brasileiro

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SÃO PAULO – A véspera do feriado vem com uma avalanche de notícias sacudindo o mercado, com destaque para a agenda política, que contou com a aprovação da TLP no Senado, a conclusão das votações da nova meta fiscal no Congresso e o avanço da reforma política na Câmara dos Deputados. Além disso, os investidores observam os desdobramentos da denúncia apresentada pela PGR contra o PT. Do lado econômico, destaque para os dados do IPCA e a decisão do Copom sobre a nova taxa de juros. No exterior, as preocupações com a crise geopolítica envolvendo a Coreia do Norte persistem, enquanto os EUA se preparam para um novo furacão que ameaça atingir a Flórida.

Confira ao que se atentar neste pregão:

  1. 1. Bolsas mundiais

    As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em baixa nesta quarta-feira, em meio a incertezas sobre a perspectiva de juros dos EUA, a crise da Coreia do Norte e um novo furacão que ameaça atingir a Flórida. Ações financeiras negociadas na Ásia ficaram pressionadas após Lael Brainard, diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), afirmar ontem que a instituição precisa ser cautelosa em relação a futuros aumentos de juros até que esteja confiante de que alcançará sua meta de inflação de 2%.

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O comentário de Brainard alimentou preocupações sobre o setor bancário global, cujas margens ficaram comprimidas durante boa parte da última década num ambiente de taxas de juros baixas. Recentes sinais de inflação fraca nos EUA têm gerado dúvidas sobre a possibilidade de o Fed elevar juros pela terceira vez ainda este ano.

Continuam no radar dos investidores os desdobramentos da crise na Península Coreana, após a Coreia do Norte ter realizado seu sexto e maior teste nuclear no último domingo. Ontem, Han Tae Song, embaixador da Coreia do Norte na ONU (Organização das Nações Unidas), afirmou que o país enviará “mais presentes” aos EUA, fazendo referência ao teste nuclear realizado.

Além disso, o mercado a trajetória do Irma, um poderoso furacão de categoria 5 que atingiu as primeiras ilha do Caribe na madrugada desta quarta com ventos de até 295 quilômetros por hora. Existe a possibilidade de que a tormenta chegue à Flórida no fim de semana.

Às 8h10 (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) -0,28%

*FTSE (Reino Unido) -0,68%

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*DAX (Alemanha) -0,08% 

*Hang Seng (Hong Kong) -0,46% (fechado)

*Xangai (China) (fechado) +0,05% (fechado)

*Nikkei (Japão) -0,14% (fechado)

*Petróleo WTI +0,45%, a US$ 48,88 o barril

*Petróleo brent +0,96%, a US$ 53,89 o barril

2. TLP, nova meta fiscal e reforma eleitoral

Considerada a pauta prioritária do governo no Legislativo nesta semana, a Medida Provisória 777/2017, que cria a TLP (Taxa de Longo Prazo), taxa a ser usada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nos seus empréstimos concedidas a partir de 1º de janeiro de 2018, foi aprovada pelo plenário do Senado Federal na noite da última terça-feira (5). A nova taxa terá como base juros de mercado vinculados a um título do Tesouro Nacional (NTN-B) mais a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

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Além disso, o Congresso Nacional concluiu a votação que altera a meta fiscal de 2017 e 2018 para R$ 159 bilhões, que agora segue para sanção presidencial. Os dois destaques votados, que estavam pendentes e impediram que o governo enviasse o projeto orçamentário com a nova meta, foram rejeitados pelos parlamentares. A meta anterior era de R$ 139 bilhões para este ano e de R$ 129 bilhões para o ano que vem.

Na mesma noite, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 384 votos favoráveis a 16 contrários, a a proposta que veda coligações para eleições proporcionais e cria uma cláusula de desempenho para o acesso de partidos ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda em rádio e TV. Pelo acordo, a análise da proposta só será retomada depois que os deputados decidirem sobre outra PEC da reforma política: a PEC 77/03, relatada pelo deputado Vicente Candido (PT-SP), que altera o sistema para eleição de deputados e vereadores e cria um fundo público para o financiamento das eleições.

Para entender melhor como a TLP muda da água para o vinho o papel do BNDES na economia brasileira, clique aqui.

3. Agenda econômica

O destaque do dia fica por conta da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre o novo patamar da taxa básica de juros brasileira e as sinalizações que serão dadas pelo Banco Central sobre os próximos passos da equipe de Ilan Goldfajn. As expectativas do mercado são de um novo corte de 100 pontos-base na Selic, que passaria ao patamar de 8,25% ao ano.

Ainda na agenda nacional, chamam atenção os dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) às 9h, e do fluxo cambial semanal, às 12h30. No exterior, as atenções se voltam para a agenda econômica norte-americana, com a divulgação dos dados da balança comercial de julho (9h), da sondagem de serviços do Institute for Supply Management (11h) e dos estoques de petróleo (11h30). O Livro Bege do Federal Reserve (15h) também merece destaque, com as percepções dos bancos centrais regionais sobre a situação econômica em suas áreas de atuação.

4. Noticiário político

Outro destaque é a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República de políticos ligados ao PT, incluindo os ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A dupla é acusada de participar de uma organização criminosa — que também teria contado com a participação dos ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega, a presidente da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PR), e seu marido, o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo, além dos ex-tesoureiros do partido João Vaccari e Edinho Silva, que hoje atua como prefeito de Araraquara (SP) — para desviar recursos da Petrobras. Na peça, Rodrigo Janot diz que, além do PT, o núcleo político da organização era composto também por integrantes do PMDB do Senado e Câmara e do PP. Segundo o procurador-geral, os três partidos teriam arrecadado, juntos, mais de R$ 3 bilhões em propina no setor público.

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5. Radar corporativo
Do lado das empresas, o mercado começa a precificar possível impacto da revisão da delação de executivos do grupo J&F sobre o processo de venda de ativos em curso. A Vale foi elevada a Ba1 pela agência de classificação de risco Moody’s, com perspectiva estável, enquanto a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou aprovou a reorganização societária da Sabesp. A Embraer comunicou o mercado que a SkyWest fez um pedido firme de 25 E-Jets por US$ 1,1 bilhões, ao passo que a Petrobras, revelou que avenda de participação na Braskem está em fase preliminar.

(com Bloomberg, Agência Estado e Agências Brasil, Câmara e Senado)