Flávio Bolsonaro reúne mulheres conservadoras em aceno ao eleitorado feminino

Evento busca reduzir a distância do senador entre eleitoras e testar apoio de Michelle

Marina Verenicz

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O encontro organizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com mulheres conservadoras, marcado para esta quarta-feira (1º), tem um objetivo que vai além da mobilização da militância.

A iniciativa faz parte da estratégia da pré-campanha para recuperar terreno justamente no segmento em que o senador enfrenta um dos maiores desafios eleitorais, o voto feminino.

A escolha do público não é casual. A pesquisa Genial/Quaest divulgada em junho mostrou que Flávio perdeu apoio entre mulheres, evangélicos, jovens e eleitores do Sudeste. No mesmo levantamento, Lula abriu vantagem no segundo turno pela primeira vez desde março, encerrando uma sequência de empates técnicos entre os dois.

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Entre as mulheres, o cenário se deteriorou ainda mais para o pré-candidato do PL. Segundo a Quaest, Lula passou a reunir 47% das intenções de voto nesse grupo, enquanto Flávio aparece com 33%. O desempenho representa o pior resultado do senador entre eleitoras desde o início da série de pesquisas de 2026.

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É justamente nesse eleitorado que Michelle Bolsonaro construiu sua principal base política. Desde que assumiu a presidência do PL Mulher, a ex-primeira-dama ampliou sua influência entre mulheres evangélicas e conservadoras, tornando-se uma das principais vozes da direita nas pautas ligadas à família, religião e costumes.

Por isso, aliados do senador acompanham com atenção a possibilidade de Michelle participar do encontro. Até esta terça-feira (30), sua presença seguia indefinida. Nos bastidores do partido, a expectativa era de que ela comparecesse como um gesto público de distensão após a crise que expôs divergências entre os dois na semana passada.

A ausência, por outro lado, teria um peso político próprio. O evento foi desenhado para aproximar Flávio justamente de um público que hoje enxerga Michelle como uma liderança mais representativa dentro do bolsonarismo.

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A disputa pelo eleitorado feminino

A preocupação da campanha não se resume aos números das pesquisas mais recentes. O eleitorado feminino sempre representou um desafio para a família Bolsonaro, diferença que se manteve mesmo após Jair Bolsonaro deixar a Presidência.

Nas últimas semanas, a campanha passou a incorporar um discurso mais voltado à autonomia financeira das mulheres. Durante uma transmissão feita de Buenos Aires, onde participou de compromissos políticos com o presidente argentino Javier Milei, Flávio dedicou parte da fala ao tema.

“A minha preocupação é com as mulheres. As mulheres sustentam mais de 70% dos lares brasileiros”, afirmou. Segundo ele, a pauta feminina deve ser tratada sob a perspectiva econômica, com foco na geração de renda e na independência financeira.

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O discurso representa uma tentativa de ampliar o diálogo para além das pautas tradicionais da direita, buscando reduzir a distância em um segmento decisivo para a eleição.

Crise expôs disputa por espaço

O esforço ocorre poucos dias depois de a relação entre Michelle e Flávio se tornar pública. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a ex-primeira-dama afirmou ter sido desrespeitada pelo enteado durante uma conversa telefônica.

O episódio teve origem nas negociações para a formação dos palanques estaduais do PL, especialmente no Ceará, onde Michelle defendia uma composição diferente da apoiada por Flávio.

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A divergência rapidamente extrapolou os bastidores. Michelle passou a cobrar maior participação nas decisões políticas do partido e afirmou que não vinha sendo ouvida na definição das alianças estaduais.

Flávio respondeu com um vídeo em que pediu desculpas e afirmou que nunca teve a intenção de ofendê-la. Depois, reforçou o convite para que Michelle participasse do encontro com mulheres conservadoras, gesto interpretado dentro do partido como uma tentativa de encerrar publicamente o conflito.

Enquanto isso, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, intensificou as conversas para evitar que a disputa interna produza reflexos na campanha presidencial.

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O peso político de Michelle

A preocupação da direção do partido vai além da repercussão da crise familiar. Pesquisas internas do PL e levantamentos públicos mostram que Michelle possui forte capacidade de mobilização entre mulheres conservadoras e evangélicas, grupo considerado essencial para qualquer candidatura competitiva da direita.

Por isso, a presença — ou a ausência — da ex-primeira-dama no evento desta quarta-feira tende a ser interpretada como um indicativo sobre o grau de pacificação dentro do bolsonarismo.