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Com a aposta na pré-candidatura à Presidência do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, o Novo busca retomar pautas caras a eleitores que se enxergam como liberais e não têm identificação automática com o bolsonarismo. Na disputa por esse voto, o partido tem como concorrente o Missão, legenda fundada por ex-integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), cujo presidente, Renan Santos, também concorrerá ao Planalto.
No sábado, o Missão lançou sua candidatura e apresentou o chamado Livro Amarelo, com as principais propostas de governo. As campanhas de Zema e Renan disputam a defesa de bandeiras como estado mínimo e fim das cotas raciais, além do discurso antissistema.
A imagem de outsider tem sido explorada pela campanha de Zema, que tenta repetir a estratégia adotada na eleição que o levou ao governo mineiro, em 2018. Na época, desconhecido na política, apresentou-se como empresário ligado à administração da rede varejista da família, conhecida no interior do estado, e defendeu propostas que contrastavam com a gestão petista de Fernando Pimentel (PT).
Neste ano, com o desafio de nacionalizar a campanha, o discurso antipolítico, além de se opor ao governo Lula (PT), passou a mirar o Supremo Tribunal Federal (STF), em função dos desdobramentos do caso Master.
Como parte da estratégia, o ex-governador tem reforçado propostas como a defesa do Estado mínimo, a privatização de estatais e mudanças no Bolsa Família para criar, segundo ele, “portas de saída” para os beneficiários. As bandeiras retomam posições históricas do Novo, defendidas pelos presidenciáveis da legenda em 2018, João Amoedo, e em 2022, Felipe D’Avila. Entre as duas eleições, o partido caiu do quinto para o sexto lugar em votação e viu sua bancada na Câmara ser reduzida de oito para três deputados.
Foco no Congresso
Sem ter atingido a cláusula de barreira em 2022 — que exige a eleição de ao menos 13 deputados federais ou 2,5% dos votos para a Câmara, distribuídos em pelo menos um terço dos estados —, a sigla chega à disputa com acesso restrito ao fundo partidário e sem tempo de propaganda gratuita na TV e no rádio. Para tentar reverter o quadro, aposta na campanha presidencial de Zema como vitrine para fortalecer o partido nacionalmente e impulsionar candidaturas proporcionais.
Como parte dessa estratégia, o ex-governador tem percorrido municípios do interior dos principais colégios eleitorais e concedido entrevistas a rádios locais ao lado de candidatos a deputado federal e estadual. Aos postulantes também foi oferecida a oportunidade de posar ao lado de Zema e de outros puxadores de voto da legenda em um estande montado durante o encontro nacional do partido, realizado em São Paulo.
— Esse é o ano mais importante da nossa vida partidária. Nós estamos diante de uma barreira e, se nós a superarmos, o Novo vai crescer e nós vamos mudar a política do nosso país. Mas, se nós fracassarmos diante da cláusula de barreira, pode ser que a gente nunca mais consiga passá-la — afirmou o ex-deputado e pré-candidato ao Senado Deltan Dallagnol na ocasião.
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As pautas antissistema defendidas pelo Novo também aparecem na campanha de Renan Santos. Em seu plano de governo, o presidenciável do Missão propõe rever benefícios sociais, substituindo o Bolsa Família por “frentes de trabalho remuneradas”. Na área da segurança pública, defende medidas inspiradas na política de combate ao crime organizado implementada em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele, alvo de denúncias de violações de direitos humanos.
No sábado, durante a convenção do Missão, ele disse “nós vamos matar quem roubar” e num discurso radical e xingamentos, chamou Flávio Bolsonaro (PL) de “farsante, fraco e corrompido” se referiu ao presidente Lula (PT) como maldito.
Parte dessas propostas de segurança de Renan também encontra paralelo na campanha de Zema. Durante a convenção nacional do Novo na semana passada, o ex-governador prometeu criar superpresídios em uma área remota da Amazônia para isolar lideranças criminosas por “pelo menos 25 anos”. Os dois candidatos ainda convergem na defesa das privatizações, de cortes de gastos e em críticas às cotas raciais.
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Há, porém, diferenças na estratégia de campanha. Renan afirma que não utilizará recursos do fundo eleitoral e busca financiamento por meio de doações de apoiadores em uma vaquinha online. O Novo também rejeitava esse tipo de verba desde sua fundação, mas passou a admitir o uso do fundo eleitoral em 2024. Ambos, contudo, apostam nas redes sociais como principal ativo de campanha. No Instagram, Zema soma 2,5 milhões de seguidores, contra 2,1 milhões de Renan. Já em engajamento, o candidato do Missão aparece à frente: média de 50 mil curtidas por publicação, ante 13 mil do ex-governador, segundo a ferramenta Social Blade.
Troca de farpas
O candidato do Missão nega, porém, que os dois disputem o mesmo eleitorado e critica o Novo por “atuar institucionalmente como um partido bolsonarista“.
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— Não há, da nossa parte, a intenção de fazer uma disputa eleitoral com o Novo, porque, se existe uma disputa por um voto de direita liberal, grupo que defende uma agenda reformista para o Brasil, somada a preceitos como liberdade de expressão e Estado Democrático de Direito, isso não existe dentro do Novo, salvo raras exceções. Ele é, institucionalmente, um partido bolsonarista. E, nesse sentido, eu não estou concorrendo com eles por esse voto bolsonarista — disse Renan ao GLOBO.
O papel desempenhado por Zema no partido também foi alvo de críticas de Renan no início do mês, durante um evento do MBL em Belo Horizonte. Na ocasião, ele afirmou que o ex-governador estava “perdido” dentro da sigla e que, como empresário, não era um nome “fora do sistema” em Minas. A declaração foi rebatida por Zema, que criticou a falta de experiência administrativa do adversário.
— Como ele não teve experiência na gestão pública, sai dando tiro como uma metralhadora giratória, prometendo mundos e fundos — disse o mineiro em uma sabatina promovida pelo grupo Derrubando Muros.
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