“Não vamos chorar; procuraremos novos parceiros”, disse Lula sobre tarifas dos EUA

Presidente brasileiro reforçou soberania nacional e destacou que o país "venderá para quem deseja comprar" caso mercado americano se feche pelas tarifas

Caio César

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio de Investimentos da Petrobras em Pedra Branca, Laranjeiras - SE. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio de Investimentos da Petrobras em Pedra Branca, Laranjeiras - SE. Foto: Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (3), que o governo brasileiro vai procurar novos parceiros econômicos, se for necessário, e que não aceitará o “tratamento” que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu ao Brasil nesta semana.

“O importante é vocês saberem que estamos em um momento decisivo para que a sociedade brasileira e até a sociedade mundial reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país”, destacou. “A nossa luta é para que esse país não seja tratado como uma republiqueta insignificante. Nós somos grandes, temos história e não aceitaremos o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana”, declarou Lula durante uma reunião ministerial transmitida ao vivo.

O presidente brasileiro também afirmou que enviará mais uma carta a Trump e escreverá “quantos artigos precisar escrever na imprensa americana e mundial” para mostrar que os EUA estão errados. Ao mencionar o possível novo tarifaço de 25% contra o Brasil, Lula foi categórico ao dizer que não vai “ficar chorando” e que o país buscará novos parceiros econômicos e venderá para “quem quiser comprar”.

“Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O que vocês precisam saber é que o Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país soberano”, concluiu.

A nova ameaça de tarifas ocorre após a administração Trump concluir que as práticas econômicas do Brasil são desleais, de acordo com a Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que abrange áreas como serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.

A pressão aumentou novamente nesta quarta-feira (3), quando os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma investigação sobre trabalho forçado e propuseram uma tarifa adicional de 12,5% para países considerados falhos no combate à circulação de produtos associados a esse tipo de prática.

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Anúncio da taxação ocorre após visita de Flávio

A divulgação do documento também provocou questionamentos dentro do governo brasileiro sobre o momento escolhido pelos Estados Unidos para tornar públicas suas conclusões.

O relatório foi divulgado uma semana após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participar de uma reunião com Trump na Casa Branca. Durante a visita, o parlamentar voltou a criticar decisões do Judiciário brasileiro e reforçou pedidos relacionados ao enquadramento de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA.

Na ocasião, o pré-candidato criticou a liberdade de expressão no Brasil e reforçou seu pedido ao presidente norte-americano para que incluísse facções brasileiras na lista de grupos terroristas investigados pelos EUA — pedido atendido em anúncio do governo Trump dois dias depois.

O primeiro tarifaço imposto ao Brasil também ocorreu após uma visita do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ao presidente norte-americano, que por sua vez tentou interferir no Judiciário brasileiro e amenizar ou livrar da pena o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de reclusão pela trama golpista.