“Não é razoável”: Alcolumbre critica decisão de Gilmar que protege ministros do STF

Presidente do Senado classificou decisão do ministro do STF como tentativa de usurpar prerrogativas do Legislativo

Caio César

Davi Alcolumbre, presidente do Senado — Foto: Ascom Davi Alcolumbre/Divulgação
Davi Alcolumbre, presidente do Senado — Foto: Ascom Davi Alcolumbre/Divulgação

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que limita à Procuradoria-Geral da República o poder de decidir sobre o impeachment de ministros.

Em pronunciamento na sessão plenária desta quarta-feira (3), o presidente da Casa afirmou que a posição do ministro representa uma tentativa de usurpar as prerrogativas do Poder Legislativo.

“Esta mesa recebe com muita preocupação a decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes. Se é verdade que esta Casa e sua presidência nutrem profundo respeito institucional pelo STF, também é o desejo de que nessa relação haja reciprocidade e que e que seja igualmente genuíno”, disse.

“Não é razoável que uma lei votada em duas casas legislativas e sancionada pelo presidente seja revista por um único ministro do STF. Eventuais abusos no uso desse direito não podem levar à anulação desse comando legal”, afirmou o presidente do Senado.

Alcolumbre também ressaltou que já tramitam no Senado projetos que estabelecem um novo marco legal para os crimes de responsabilidade, além de outro que altera o regime das decisões monocráticas.

A decisão monocrática de Gilmar

O ministro Gilmar Mendes estabeleceu novas regras para a tramitação de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.

Na decisão monocrática, sem a apreciação dos demais ministros, Mendes definiu que apenas a Procuradoria-Geral da República pode apresentar denúncias dessa natureza, e que tanto a abertura quanto o julgamento exigem agora o apoio de 2/3 do Senado, e não mais maioria simples.

O ministro também proibiu o afastamento de magistrados enquanto o processo estiver em tramitação.

A decisão impacta diretamente o estoque de pedidos protocolados contra os ministros da Corte — atualmente, são centenas. Todos foram apresentados por cidadãos, entidades ou parlamentares, mecanismo que Gilmar considerou incompatível com o desenho constitucional.

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O tema será analisado pelo plenário virtual do STF a partir de 12 de dezembro.