Operação Lava Jato

MPF deve denunciar Eduardo Cunha ainda em agosto, diz jornal

Eduardo Cunha deve ser denunciado ainda este mês por corrupção e lavagem de dinheiro supostamente desviado de umcontrato entre a Samsung Heavy Industries e a Petrobras; já Fernando Collor teria recebido R$ 26 milhões em 5 anos

SÃO PAULO – De acordo com informações do jornal O Globo, o MPF (Ministério Público Federal) deve denunciar ainda em agosto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por corrupção e lavagem de dinheiro supostamente desviado de um contrato entre a Samsung Heavy Industries e a Petrobras (PETR3;PETR4). Cunha também deverá ser acusado de coação de testemunhas.

Em julho, o lobista Julio Camargo afirmou que Cunha pediu US$ 5 milhões em propina. Além de Cunha, também estão quase prontas, afirma o jornal, pelo menos mais quatro denúncias contra políticos com direito a foro privilegiado, sendo uma delas contra o senador Fernando Collor (PTB-AL). 

O Ministério Público também sugerirá que se arquive o inquérito aberto contra o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), acusado pelo policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, de receber R$ 1 milhão do doleiro Alberto Youssef na campanha de 2010. Careca teria viajado a Belo Horizonte para entregar o dinheiro ao político, a quem diz ter reconhecido tempos depois ao vê-lo na televisão. O doleiro não confirmou a informação de Careca e as investigações não avançaram.

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Já no caso de Collor, os elementos encontrados, na avaliação de investigadores, são consistentes. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que não há razão para devolver os carros de luxo — Lamborghini, Ferrari, Bentley e Land Rover — apreendidos no mês passado na casa do senador e também afirmou que o parlamentar recebeu, ao todo, R$ 26 milhões de propina no período entre 2010 e 2014. O dinheiro saiu de contratos firmados pela BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. 

Cabe lembrar que a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) define hoje (5) a lista tríplice para o cargo de procurador-geral da República. A entidade recebeu quatro candidaturas que vão disputar a vaga de Rodrigo Janot, atual procurador e candidato à recondução. Caberá à presidente Dilma Rousseff escolher um dos três mais votados para ocupar o cargo. Dilma não é obrigada a escolher o mais votado.

A votação está prevista para começar às 10h em todas as unidades do Ministério Público Federal (MPF) no país. A apuração será feita por meio de um sistema eletrônico interno. O resultado deve ser divulgado por volta das 19h. Além de Janot, concorrem ao cargo os subprocuradores Carlos Frederico Santos, Mario Bonsaglia e Raquel Dodge.

O mandato de Janot acaba dia 17 de setembro, mas ele pode ser reconduzido pela presidente por mais dois anos, o que deve acontecer hoje.