Motta diz que governo deve decidir sobre aumento de etanol na gasolina no dia 14

Presidente da Câmara afirma que CNPE vai deliberar sobre aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina e que governo também reafirmou compromisso de retirar subsídio ao combustível

Agência O Globo

Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participam da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 02/02/2026 - O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participam da abertura do Ano Judiciário de 2026 do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deverá se reunir no dia 14 de julho para deliberar sobre o aumento do percentual obrigatório de etanol misturado à gasolina, dos atuais 30% para 32%.

O anúncio foi feito por Motta em publicação nas redes sociais, após conversa com os ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

“Em contato com os ministros do Planejamento, Bruno Moretti, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira, acertamos que o CNPE irá se reunir na próxima terça-feira (14) para deliberar sobre o aumento do percentual de 30% para 32% do etanol na gasolina”, escreveu.

A eventual ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina também atende a uma demanda do setor, que vinha pressionando a Câmara e o governo sob o argumento de que o subsídio à gasolina reduziu a competitividade do biocombustível e comprometeu o diferencial entre os dois combustíveis previsto na Constituição.

Na mesma publicação, Motta afirmou que o governo federal mantém o compromisso de retirar o subsídio concedido à gasolina, mas pediu mais tempo para concluir a medida diante da instabilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio.

“Com relação ao PLP dos combustíveis, o Governo Federal segue comprometido em retirar o subsídio que está sendo dado para a gasolina, necessitando apenas de mais um tempo para aguardar a estabilização do preço decorrente do conflito no Irã”, afirmou.

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A manifestação ocorre dias depois de Motta avisar aos líderes partidários da Câmara que poderia colocar em votação o PLP 114/2026 caso o governo não concluísse a retirada do subsídio à gasolina. Segundo relatos de participantes, o presidente da Câmara chegou a informar que pretendia pautar a proposta já nesta quinta-feira caso o benefício fosse mantido.

O projeto foi enviado pelo próprio governo ao Congresso em abril para permitir que a União utilizasse receitas extraordinárias obtidas com a alta do petróleo para compensar a perda de arrecadação decorrente da redução de tributos federais sobre gasolina, diesel, biodiesel e etanol. A equipe econômica defendia, à época, que a desoneração tributária seria mais eficiente para conter os preços dos combustíveis do que a concessão de subsídios diretos.

Durante a tramitação, porém, o texto recebeu uma série de emendas, principalmente voltadas ao setor do etanol e ao agronegócio, elevando seu impacto fiscal. O projeto também ganhou um substitutivo da relatora, deputada Marussa Boldrin, e entrou e saiu da pauta da Câmara diversas vezes nos últimos meses, sem nunca ser votado.

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No fim de junho, com a queda das cotações internacionais do petróleo, o governo anunciou o início da retirada gradual dos subsídios aos combustíveis. A primeira medida foi o fim da subvenção de R$ 0,35 por litro do diesel. Na ocasião, o Executivo já considerava que o PLP havia perdido sua finalidade e disse que o governo dialogava com Motta para evitar que a proposta fosse levada ao plenário.

O cenário voltou a mudar nesta semana após uma nova escalada das tensões envolvendo o Irã provocar volatilidade no mercado internacional de petróleo. Nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que pretendia anunciar o corte do subsídio à gasolina ainda nesta semana, mas decidiu adiar a medida para a próxima diante da alta do barril.

Segundo Durigan, o governo continua disposto a retirar o benefício, parcial ou integralmente, mas aguarda uma estabilização dos preços internacionais para evitar impactos ao consumidor.

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— Ontem (quarta-feira) o valor do petróleo subiu para US$ 80. Então nós temos que adotar com cautela a retirada dos subsídios. A gente tirou do diesel, e essa semana iria anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo. Semana que vem, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, parcial, ou totalmente, como próximo passo — disse Durigan em entrevista à Rádio Gaúcha.