Análise

Moro se despende da toga e adota pragmatismo em pacote anticrime

Para lideranças do Judiciário e do Legislativo, Moro começa a equilibrar a postura de juiz com o cargo político/técnico que ocupa na Esplanada

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Moro está se despedindo da toga

A decisão do governo Jair Bolsonaro de enviar ao Congresso, em 3 projetos diferentes, o pacote anticrime foi duramente criticada por parlamentares e defensores da operação Lava Jato, mas demonstra uma postura pragmática por parte do ministro da Justiça, Sérgio Moro.

O recuo em relação à primeira minuta, que trazia todas as propostas num projeto só, pretende evitar que a criminalização do caixa 2 de campanha impedisse a aprovação do restante. Ficaram no foco as ações contra crime organizado, crimes violentos e corrupção.

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Para lideranças do Judiciário e do Legislativo, Moro começa a equilibrar a postura de juiz com o cargo político/técnico que ocupa na Esplanada ao admitir o peso que um tema de impacto para políticos, como caixa 2, teria contra a aprovação do projeto todo.

O ex-juiz da Lava Jato percebeu que, na vida real, não seria possível entregar tudo e, consciente das reduzidas chances de mudanças no combate ao caixa dois, já de saída relativizou a importância do tema. Defendeu que caixa 2 não tem a mesma gravidade da corrupção ou crime organizado. Em linhas gerais, distante do que diziam há pouco tempo procuradores da Lava Jato.

Apesar de Rodrigo Maia dizer que caixa 2 já foi discutido em 2016, e pode voltar a qualquer momento, a experiência de políticos condenados por leis que defenderam, como Lula, ainda está bem viva na memória do Congresso.

Um dos pilares do governo Bolsonaro, junto com Paulo Guedes e a ala militar, o ministro da Justiça decepcionou quem esperava dele dificuldades para se curvar aos meandros da política, em Brasília.

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