Michelle reforça segurança após equipe identificar aumento de ataques nas redes

Responsáveis pela proteção da ex-primeira-dama revisaram protocolos e endureceram estratégias; fala de Flávio Bolsonaro também elevou o nível de alerta.

Agência O Globo

Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro durante ato em São Paulo  - 07/09/2025REUTERS/Amanda Perobelli
Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro durante ato em São Paulo - 07/09/2025REUTERS/Amanda Perobelli

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A equipe responsável pela segurança da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reforçou nesta semana o esquema de proteção adotado em seus deslocamentos e compromissos públicos após identificar um aumento do risco de hostilidades. A decisão, segundo pessoas envolvidas no planejamento da segurança ouvidas pelo GLOBO, foi tomada depois de meses de monitoramento da escalada de ataques virtuais direcionados à ex-primeira-dama e da avaliação de que esse ambiente pode estimular agressões fora das redes sociais.

De acordo com esses interlocutores, o esquema de segurança passou por uma reformulação nos últimos dias. Entre as medidas adotadas estão o aumento do efetivo responsável pela proteção de Michelle, a revisão dos protocolos operacionais e das estratégias utilizadas em deslocamentos e eventos públicos. Os responsáveis evitam detalhar as mudanças por considerarem que a divulgação dessas informações poderia comprometer a eficácia da segurança.

A avaliação da equipe é que os ataques dirigidos à ex-primeira-dama deixaram de ser episódios isolados para se transformar em uma campanha recorrente nas redes sociais. Segundo os responsáveis pela proteção, esse movimento ganhou força nos últimos meses com a atuação reiterada de perfis que passaram a concentrar publicações ofensivas contra Michelle. O receio é que esse ambiente produza o chamado “efeito copycat” — quando ataques repetidos acabam estimulando novas manifestações semelhantes, inclusive fora do ambiente virtual.

Integrantes da equipe afirmam que o monitoramento passou a considerar não apenas ameaças diretas, mas também o potencial de discursos e manifestações públicas alimentarem esse ambiente de radicalização. Na avaliação deles, embora a maior parte das agressões permaneça restrita às redes sociais, o histórico recente de episódios de violência política no país exige que qualquer aumento do nível de hostilidade seja tratado de forma preventiva.

Foi nesse contexto que a entrevista concedida nesta semana pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acendeu um sinal amarelo entre os responsáveis pela segurança. A preocupação, segundo esses interlocutores, não decorre de qualquer receio em relação ao senador ou de uma interpretação de que sua declaração representasse uma ameaça, mas da repercussão que determinadas palavras podem produzir em um ambiente já marcado pela radicalização.

Ao comentar o rompimento político com Michelle, Flávio afirmou que a relação familiar influenciou a forma como conduziu o conflito.

“Não assisti ao vídeo dela, sinceramente. Vi o teor e preferi nem assistir para não me influenciar. Ninguém esperava isso, não tem lógica, não tem jogo político. Ainda mais ela sendo a esposa do meu pai, que eu sempre respeitei. Porque, se não fosse, certamente, eu acho que não teria chegado nesse ponto, a gente teria estancado antes”, disse.

Segundo pessoas envolvidas no planejamento da segurança, a preocupação está na repercussão da palavra “estancar”, amplamente difundida nas redes sociais e reproduzida por diferentes perfis após a entrevista. A avaliação é que, independentemente da intenção do senador, expressões dessa natureza podem ser apropriadas por pessoas radicalizadas e contribuir para o mesmo efeito de reprodução observado nas campanhas de ataques virtuais.

Na análise da equipe, discursos de grande alcance podem funcionar como gatilho para indivíduos predispostos à violência, especialmente em um contexto de forte polarização política. Por essa razão, a repercussão da entrevista passou a integrar a análise de risco utilizada pelos responsáveis pela proteção da ex-primeira-dama.

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Michelle passou a ser alvo de ataques mais intensos desde o agravamento da crise pública com Flávio Bolsonaro. O rompimento entre os dois se aprofundou após a divulgação de dois vídeos em que a ex-primeira-dama afirmou ter sido humilhada pelo enteado. Desde então, o volume de ofensas dirigidas a ela nas redes sociais aumentou significativamente, segundo pessoas que acompanham o monitoramento realizado pela equipe de segurança.

Embora os responsáveis pela proteção afirmem não haver informação concreta sobre uma ameaça específica contra Michelle, a orientação é atuar preventivamente. A avaliação é que o aumento da exposição pública e da intensidade dos ataques tornou necessário endurecer os protocolos de segurança para reduzir riscos durante compromissos públicos e deslocamentos.

Procurada, Michelle Bolsonaro não comentou.