Meta aprovou 13 de 15 anúncios falsos sobre eleição feitos com IA, diz estudo

Teste da organização Ekō incluiu informações falsas sobre candidatos e votação e peça que fazia referência aos ataques de 8 de Janeiro

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A Meta aprovou para veiculação 13 de 15 anúncios políticos com informações falsas sobre as eleições brasileiras submetidos por pesquisadores da organização britânica Ekō. As peças foram produzidas como parte de um teste dos mecanismos de controle de publicidade do Facebook e do Instagram e não chegaram a ser exibidas aos usuários. O estudo foi divulgado pela Folha de S. Paulo.

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O experimento buscou verificar se os filtros da empresa identificariam violações das regras brasileiras para propaganda eleitoral. As imagens usadas nas peças foram fabricadas com ferramentas de inteligência artificial, entre elas ChatGPT, Grok e Gemini.

Entre os materiais que passaram pela análise da plataforma havia uma data falsa para o primeiro turno, uma imagem fabricada de um ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e uma peça que atribuía ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um apoio oficial a Flávio Bolsonaro (PL), acompanhado de uma imagem artificial dos dois na Casa Branca.

Outro anúncio negava a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe. O teste também incluiu conteúdo que convocava pessoas a “retomar Brasília” e fazia referência aos ataques contra as sedes dos Três Poderes em 8 de Janeiro de 2023, além de ameaças contra congressistas, discurso de ódio contra pessoas transgênero e informações falsas sobre comunidades indígenas.

Os dois anúncios recusados pela Meta foram classificados pela plataforma como casos de “práticas comerciais enganosas ou desonestas”, segundo a Ekō. A justificativa, portanto, não apontou as violações eleitorais, a incitação à violência ou o discurso de ódio testados pelos pesquisadores.

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Teste também mirou regras sobre IA

As peças foram submetidas sem informar que as imagens haviam sido produzidas artificialmente. As regras do TSE exigem que o uso de conteúdo sintético em propaganda eleitoral seja indicado de forma explícita e destacada, inclusive com a identificação da tecnologia utilizada.

A regulamentação eleitoral também proíbe conteúdo fabricado ou manipulado usado para espalhar fatos notoriamente falsos ou gravemente descontextualizados com potencial de afetar o equilíbrio da eleição ou a integridade do processo eleitoral. As regras foram atualizadas pelo TSE para a disputa de 2026.

Segundo a Ekō, nenhum dos 13 anúncios aprovados recebeu da Meta a identificação de conteúdo relacionado a “questões sociais, eleições ou política”. A organização afirma que as peças também contrariavam políticas internas da própria empresa.

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Outro ponto testado foi a origem da publicidade. Os anúncios foram submetidos por uma conta sediada nos Estados Unidos e direcionados ao público brasileiro. A legislação eleitoral estabelece regras específicas para a contratação e o impulsionamento de propaganda eleitoral na internet, incluindo mecanismos de identificação dos anunciantes e transparência sobre os responsáveis pelo pagamento.

A Ekō não divulgou os textos completos nem as imagens utilizadas no experimento. A organização afirmou que a decisão busca impedir a reprodução das técnicas empregadas para testar e contornar os sistemas automáticos de revisão.

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Meta diz que anúncios foram detectados antes da publicação

À Folha de S.Paulo, a Meta afirmou que os anúncios foram identificados antes de chegar aos usuários e que trabalha para impedir conteúdos que violem suas políticas. A empresa também disse investir em mecanismos de segurança e transparência para proteger a integridade das eleições.

Para a Ekō, porém, o fato de 13 peças terem recebido inicialmente autorização para publicação indica falhas na etapa de revisão dos anúncios. O teste foi realizado durante a campanha eleitoral, período em que o TSE exige das plataformas medidas para combater desinformação, conteúdos antidemocráticos, incitação à violência e uso irregular de inteligência artificial.

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Marina Verenicz
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