Mauro Vieira: Milei fez interferência “grave” e “inaceitável” no Brasil

Chanceler afirma que ataques de Javier Milei a Lula, ao STF e às instituições brasileiras são “graves” e diz que governo buscará esclarecimentos pela via diplomática

Marina Verenicz

Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante entrevsta coletiva na sede da ONU em Nova York
13/10/2023 REUTERS/Brendan McDermid
Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante entrevsta coletiva na sede da ONU em Nova York 13/10/2023 REUTERS/Brendan McDermid

Publicidade

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, elevou o tom da reação brasileira às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

Em entrevista à TV Globo, exibida no domingo (26), o chanceler classificou o discurso como uma interferência em assuntos internos do Brasil e afirmou que o governo argentino precisará prestar esclarecimentos.

“As declarações do presidente da Argentina foram muito graves e foram muito mal recebidas. Essas declarações foram críticas e de uma forma muito agressiva ao governo brasileiro, ao povo brasileiro, às instituições, ao Executivo, ao Legislativo e ao próprio presidente da República. Foi uma interferência em assuntos domésticos, em assuntos nacionais”, disse Vieira.

A fala do ministro ocorre um dia após Milei participar do evento do PL, em São Paulo, onde chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário” e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “lixo careca”.

Governo exige explicações

Segundo Mauro Vieira, a resposta brasileira será conduzida pelos canais diplomáticos, mas o episódio exige uma posição formal do governo argentino.

“Nós precisamos de explicações do governo argentino: por que o presidente da Argentina veio ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e de declarações ríspidas, grosseiras e inaceitáveis?”, afirmou.

Apesar da gravidade atribuída ao episódio, o chanceler disse que o objetivo do governo é preservar o diálogo entre os dois países.

“Todo o episódio é extremamente grave e inaceitável. Mas nós temos que trabalhar pelo entendimento entre as nações, e a diplomacia é feita disso, de conversas”, declarou.

As declarações de Milei desencadearam uma resposta imediata do Itamaraty. No domingo, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir o repúdio do governo brasileiro às declarações do presidente argentino e solicitar esclarecimentos sobre o episódio.

Continua depois da publicidade

Ao mesmo tempo, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado a Brasília para relatar a situação das relações bilaterais após a escalada da crise diplomática.