Mauro Vieira diz a jornal argentino que relação depende do fim das agressões de Milei

Segundo Vieira, Brasília considera o vínculo com Buenos Aires "primordial" e quer saber se o atual governo argentino compartilha dessa visão

O chanceler brasileiro Mauro Vieira - 
17/03/2024
(Foto: REUTERS/Mohammed Torokman)
O chanceler brasileiro Mauro Vieira - 17/03/2024 (Foto: REUTERS/Mohammed Torokman)

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O chanceler brasileiro Mauro Vieira afirmou ao jornal argentino Clarín que a Argentina precisa “cessar imediatamente as agressões” para que a relação bilateral volte à normalidade, em meio ao esfriamento dos laços entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Javier Milei (Argentina). Segundo Vieira, Brasília considera o vínculo com Buenos Aires “primordial” e quer saber se o atual governo argentino compartilha dessa visão.

“A relação entre Argentina e Brasil é muito importante (…) deve-se parar imediatamente com esse tipo de agressões, para retomar o caminho da normalidade no vínculo binacional”, disse.

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Vieira afirmou que, hoje, o relacionamento está sendo administrado por encarregados de negócios em razão de ofensas que, segundo ele, partiram de Milei não só contra autoridades, mas “contra o Brasil, as instituições brasileiras, os poderes” e o chefe do Supremo Tribunal Federal.

O chanceler classificou como “totalmente falsas” as acusações de que o governo brasileiro teria financiado uma campanha internacional contra a Argentina e negou que visitas oficiais brasileiras no passado tenham tido objetivo eleitoral.

Na entrevista, Vieira disse que o retorno do embaixador brasileiro a Buenos Aires, Julio Bitelli, só ocorrerá quando deixarem de existir as condições que levaram à sua saída, o que, segundo ele, passa por um “gesto simples” do governo argentino: interromper as agressões. Ele mencionou que o mesmo vale para a recomposição plena da representação argentina em Brasília, citando a saída do embaixador argentino, Guillermo Daniel Raimondi, a quem descreveu como “um diplomata distinguido”.

Milei, por sua vez, segue alimentando o atrito ao compartilhar nas redes sociais mensagens críticas a Lula e ao governo brasileiro. O presidente argentino voltou a atacar o Clarín em postagem no X, acusando o grupo de “hostigar [fustigar] com mentiras” seu governo e de tentar ampliar uma posição dominante no setor de telecomunicações, o que, segundo ele, levaria a controle excessivo do mercado e aumento de preços ao consumidor.

Embaixador dos EUA

Vieira também comentou na entrevista ao Clarín o novo atrito com os Estados Unidos, envolvendo a indicação de Daniel Perez a embaixador no Brasil. Segundo ele, a forma como Washington apresentou a consulta ao governo brasileiro, de maneira pública, viola a Convenção de Viena, já que o procedimento do agrément deve ser reservado.

Ele afirmou ainda que o caso ocorreu em meio a declarações de autoridades americanas sobre o sistema eleitoral brasileiro e a pedidos de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso, e classificou a suspensão do visto da embaixadora do Brasil como uma tentativa de pressionar Brasília a aceitar o indicado.

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Vieira ressaltou que não há prazo definido na Convenção de Viena para a concessão do placet e disse que o pedido sequer foi levado ao presidente Lula, citando a agenda do mandatário a dois meses das eleições.

Vieira também criticou a estratégia de pressão por meio de sanções e afirmou que esse tipo de medida “não é útil”, defendendo que “o que serve é a negociação”, inclusive com países com os quais o Brasil tenha divergências.