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O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas não tem sido aleatório nem homogêneo. Os dados da pesquisa Genial/Quaest, divulgados nesta quarta-feira (14), mostram que a base de apoio do senador começa a ganhar forma mais definida, com um perfil que combina insatisfação econômica, recorte de renda e uma busca por alternativa ao atual governo.
O crescimento da candidatura do senador está diretamente ligado à migração de um eleitor considerado decisivo em disputas polarizadas, a classe média urbana, segundo a análise do cientista político e diretor de inteligência do instituto Quaest, Guilherme Russo durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (17).
“Existe um eleitorado da classe média, classe média urbana, muito ligado na classe C2, que está cada vez mais frustrado com o governo Lula, por conta do poder de compra, o baixo poder de compra e a inflação”, afirmou o cientista.
O recorte por renda mostra um dos pontos mais relevantes da análise. Enquanto Lula tem um desempenho muito favorável na população com até dois salários mínimos, a situação se inverte nas demais faixas. No público de 2 a 5 salários mínimos, Flávio tem 47% de intenções de voto, contra 36% de Lula.
Esse grupo, que já teve papel relevante em eleições anteriores, volta a aparecer como pêndulo do processo eleitoral. Trata-se de um eleitor que depende diretamente da renda do trabalho, convive com endividamento e sente com mais intensidade a pressão do custo de vida.
“É um trabalhador que depende muito de renda para viver e está cada vez mais migrando para o Flávio e largando mão do Lula como opção de voto”, completou Russo.
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Percepção econômica
Segundo a análise apresentada no programa, o comportamento desse eleitor está menos ligado a indicadores macroeconômicos e mais à percepção cotidiana. O impacto da inflação, especialmente em serviços e alimentos, tem pesado mais do que dados agregados.
“É sobre o supermercado, é o preço dos alimentos que afeta tanto a percepção da população”, disse Russo. “A sensação de não melhorar é muito forte”.
Esse diagnóstico ajuda a explicar por que o avanço de Flávio ocorre mesmo em um cenário de indicadores econômicos considerados estáveis. A leitura do eleitor passa mais pela experiência individual do que pelos números oficiais.
Puxadores de crescimento
Além do recorte de renda, a pesquisa também indica diferenças relevantes por perfil demográfico. O apoio ao senador cresce com mais intensidade entre homens e entre eleitores de faixa etária intermediária.
“A gente ainda vê uma diferença de homens votando mais no Flávio do que as mulheres votam no Flávio”, afirmou Russo.
Conforme mostraram os dados do último levantamento da Quaest, Lula lidera entre eleitores com mais de 60 anos, com 45%, enquanto Flávio tem 28%. Entre os mais jovens, a diferença é mínima: 34% a 33% para Lula. Na faixa intermediária, de 35 a 59 anos, o petista aparece com 36% e Flávio com 32%.
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O senador apresenta o melhor desempenho em um grupo que concentra renda ativa e maior exposição às oscilações econômicas. Para o analista político da XP, João Paulo Machado, há também um componente de frustração acumulada ao longo do atual mandato.
“O diagnóstico geral é de que o eleitor tem um cansaço e uma frustração com esse terceiro mandato do presidente Lula”, afirmou.
Eleitor “simples”
Apesar de frequentemente classificado como “moderado”, o eleitor que tem migrado para Flávio Bolsonaro é descrito pelos analistas como mais pragmático do que ideológico.
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“O eleitor comum não tem grandes articulações, ele pensa de forma muito simples: o que vai ser melhor para o país? Quem vai melhorar a qualidade de vida?”, explicou Russo.
Essa lógica ajuda a entender a volatilidade do grupo. O mesmo eleitor que apoiou Lula em 2022, em meio à insatisfação com o governo anterior, agora passa a considerar uma alternativa diante da percepção de estagnação.
Para João Paulo Machado, esse movimento também reflete o desgaste natural de governos ao longo do tempo. “O cansaço tá no entorno da imagem do presidente Lula, personagens políticos se desgastam ao longo do tempo”, afirmou.
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O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
