Mapa de Risco: Prometer ajuste fiscal não dá voto — e trava debate econômico em 2026

Ambiente econômico reduz espaço para promessas duras e adia discussão de reformas estruturais, dizem analistas

Marina Verenicz

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Para analistas, a campanha de 2026 deve avançar com uma característica que tende a incomodar o mercado: a baixa disposição dos candidatos em detalhar propostas econômicas mais duras. Sem uma pressão imediata que os force a assumir compromissos claros, o debate sobre ajuste fiscal e reformas estruturais tende a ficar em segundo plano durante a disputa.

No “Mapa de Risco”, programa de política do InfoMoney, o analista de política da XP, Victor Scalet, destacou que o ambiente atual não favorece discursos mais duros. “Não é fácil fazer campanha prometendo ajuste, prometendo reformas severas”, afirmou.

A explicação passa pelo contexto macroeconômico. Apesar das preocupações com a trajetória da dívida e com o fiscal no médio prazo, o Brasil não enfrenta hoje uma crise comparável à de outros países que passaram por mudanças mais radicais de política econômica.

A ausência dessa pressão imediata reduziria o incentivo político para que candidatos se comprometam com medidas impopulares. “A gente não está num momento de crise aguda, ninguém vai querer explicitar movimentos difíceis e duros”, disse o analista.

Esse diagnóstico ajuda a entender por que, até agora, tanto governo quanto oposição evitam detalhar propostas econômicas mais sensíveis. Em vez disso, a tendência é trabalhar com sinalizações mais amplas, sem entrar no custo político de reformas como mudanças fiscais mais profundas ou ajustes de gastos.

O padrão não é exclusivo de um lado da disputa. A avaliação é que a cautela vale tanto para o campo governista quanto para os adversários, ainda que por motivos diferentes.

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Pressão

Se o governo pode se apoiar no histórico recente de gestão, a oposição enfrenta uma exigência maior de explicitação. Isso porque precisa reduzir incertezas e apresentar diretrizes mínimas ao mercado e ao eleitorado.

“Quem não está no cargo precisa mostrar mais do que quem está”, afirmou Paulo Gama, analista político da XP.

Essa assimetria tende a se tornar mais relevante ao longo da campanha, especialmente à medida que candidaturas ganham tração e passam a ser cobradas por maior clareza sobre política econômica.

Ainda assim, a expectativa é de que mesmo a oposição evite detalhamentos excessivos. A estratégia mais provável envolve indicar direções gerais e, eventualmente, nomes que possam dar credibilidade à agenda.

Impacto no mercado

Para investidores, esse cenário amplia a incerteza. Sem propostas claras, os preços dos ativos passam a reagir mais às expectativas do que a planos concretos. “Pode ser que a gente veja mais mudanças nos preços de ativos por conta dessa mudança de expectativa”, disse Scalet.

Isso significa que a dinâmica eleitoral pode influenciar o mercado antes mesmo da apresentação de programas econômicos consistentes. Sinais indiretos, como alianças, nomes cotados para a equipe econômica ou posicionamentos pontuais, ganham peso na formação de expectativas.

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O resultado é uma campanha em que o debate econômico tende a ser menos explícito, mas não menos relevante. Ao contrário, a falta de clareza pode aumentar a volatilidade e tornar o cenário ainda mais sensível a mudanças de percepção.

Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.