A sua própria ministra

“Mais que nunca, Dilma é a ministra da Fazenda de si mesma”, diz Rio Bravo

Em relatório de dezembro, gestores afirmam que 2015 terminou "incompleto, incerto e absolutamente insatisfatório e que há tempos não se via tamanho desalento e desencanto com as possibilidades do país

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SÃO PAULO – Em relatório sobre comentando o desempenho dos fundos de investimentos do mês de dezembro, a Rio Bravo Investimentos destaca os principais assuntos do último mês e o seu desenrolar para o próximo ano. Segundo os estrategistas, 2015 terminou “incompleto, incerto e absolutamente insatisfatório. Há tempos não se via tamanho desalento e desencanto com as possibilidades do país. Stefan Zweig (1881-1942) nunca foi tão lembrado” (“O Brasil é o país do futuro – e sempre será”).

Após destacar em último relatório que essa pode ser a pior recessão da história, a Rio Bravo afirma que não há solução para a crise de governabilidade, meramente uma pausa, e a oposição queria mesmo que o assunto do impeachment ficasse adiado para a volta do recesso parlamentar, depois de os parlamentares travarem contato com as suas bases e avaliarem o tamanho da recessão em que encontra o país. “É neste oceano de frustrações que ficarão imersos os representantes do povo nos próximos 30 dias, findos os quais o país teria mais de 100 mil desempregados”.

“Enquanto isso, firma-se, mais que nunca, a ideia de que Dilma Rousseff é ministra da Fazenda de si mesma (…). Longe de ser um sinal de fortalecimento, esta opção apenas reforça a solidão cada vez maior da presidente”, destacam os gestores. 

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Ao comentar sobre a saída de Joaquim Levy da Fazenda para a entrada de Nelson Barbosa, a Rio Bravo ressalva que a ideia de que o último seja nomeado para manter o que Levy vinha tentando destina-se a assegurar o apoio do PT na luta contra o impeachment. “É lamentável que a fidelidade do próprio partido do governo tenha que ser conseguida mediante a nomeação de um personagem desejado pelas suas bases; pois, se o apoio do PT não é incondicional, os preços a pagar pelos outros apoios necessários para preservar seu mandato serão bem mais elevados”.

Além disso, Barbosa chegou ao ministério da Fazenda sem que houvesse um período de “carência”. Os gestores da Rio Bravo relacionam a chegada do ministro a de Luiz Carlos Bresser-Pereira, titular da Fazenda no governo José Sarney entre abril e dezembro de 1987. 

“A situação em tudo se parece com as da época da hiperinflação, e a ascensão de Barbosa lembra, em particular, a de Bresser-Pereira, destinado a fazer um novo experimento heterodoxo bem feito, sendo que apenas a perspectiva histórica permitiria que se notasse a contradição em termos nessa expectativa”, afirmam os gestores, que destacam que este “plano iniciado em junho de 1987, foi a primeira de diversas reprises pioradas do Cruzado”. “Nelson Barbosa parece o Bresser-Pereira de Dilma Rousseff”. 

Para os gestores, assim como a decisão do STF sobre o impeachment, que foi considerada rigorosa e desfavorável ao processo, a saída de Levy serviu para um importante propósito: “ninguém pode atribuir o desempenho horroroso da economia à austeridade e ao neoliberalismo, pois os resultados fiscais de 2015 serão provavelmente piores que os de 2014”.

Barbosa sinalizou que a mesma orientação deverá permanecer na sua gestão e, a menos que haja “alguma mágica para recuperar a governabilidade”, não se deve esperar que o novo ministro seja mais bem-sucedido que o seu antecessor em fazer avançar as reformas necessárias para o progresso do País. “E novamente não se poderá culpar a responsabilidade fiscal recém adotada, ao menos na intenção, pelo desastre econômico em andamento”.

Assim, em fevereiro, logo no final do recesso parlamentar e judiciário, “o país terá um reencontro com o seu destino, e poderá novamente ponderar sobre suas possibilidades”, afirmam os gestores.

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