Maioria apoia classificação de PCC e CV como terroristas, mostra AtlasIntel

Pesquisa mostra apoio à medida dos EUA e indica que tema pode influenciar a escolha de candidatos em 2026

Marina Verenicz

Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 19/04/2002 Rebelião de presos na Casa de Custódia Jorge Sant'ana, em Bangu. Presos no telhado fazendo agito com a bandeira da facção Comando Vermelho (CV). - Crédito:CARLOS MORAES/AGÊNCIA O DIA/AE/Código imagem:155582
Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 19/04/2002 Rebelião de presos na Casa de Custódia Jorge Sant'ana, em Bangu. Presos no telhado fazendo agito com a bandeira da facção Comando Vermelho (CV). - Crédito:CARLOS MORAES/AGÊNCIA O DIA/AE/Código imagem:155582

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A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas encontra respaldo da maioria dos brasileiros e pode produzir reflexos na disputa presidencial de 2026. É o que aponta pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira (3).

Segundo o levantamento, 53,1% dos entrevistados aprovam a iniciativa do governo americano. Outros 44,7% desaprovam a medida, enquanto 2,2% não souberam responder.

Embora a maioria apoie a classificação das facções, a percepção sobre as consequências da medida está longe de ser consensual. Quando questionados sobre os efeitos da decisão, 47,7% afirmaram que a iniciativa representa um risco à soberania nacional por abrir espaço para eventual interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.

Já 44,7% consideram que a medida é necessária para fortalecer o combate ao crime organizado.Outros 7,3% enxergam a classificação como um gesto essencialmente simbólico, sem impacto prático relevante.

O resultado sugere que parte do eleitorado apoia a ofensiva contra as facções, mas mantém reservas sobre o papel que os Estados Unidos podem exercer nesse processo.

Empate técnico sobre soberania

A divisão aparece de forma ainda mais clara quando os entrevistados foram questionados diretamente se a medida fere ou não a soberania brasileira.

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Nesse caso, o levantamento registrou empate técnico. Para 49,7%, a decisão americana não representa uma violação da soberania nacional. Já 49,4% entendem que sim. Apenas 0,9% não soube responder.

Os números ajudam a explicar a disputa narrativa observada nos últimos dias entre governo e oposição.

Enquanto aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) argumentam que a classificação abre precedente para interferências externas, setores da direita sustentam que a medida fortalece o combate às organizações criminosas.

Potencial efeito nas eleições

A pesquisa também indica que a discussão pode ultrapassar o campo da segurança pública e alcançar a corrida presidencial. Mais da metade dos entrevistados, 50,8%, declarou que teria maior propensão a votar em um candidato favorável à classificação das facções como organizações terroristas.

Por outro lado, 33,6% afirmaram preferir candidatos contrários à medida. Outros 15,7% disseram que o tema não terá influência em sua decisão eleitoral.

O levantamento da AtlasIntel ouviu 1.273 brasileiros entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2026. A pesquisa foi realizada por meios digitais, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

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