Entrevista à GloboNews

Maia diz que pode ser alternativa à Presidência em 2 ou 3 eleições e critica “inúmeras bocas do Planalto”

"Esse Palácio tem muita boca. Já venho dizendo há muitos meses isso para o presidente. O Palácio tem que falar menos. E eu acho que isso é uma coisa que atrapalha o governo. Não apenas agora", disse ele em entrevista à GloboNews

SÃO PAULO – Em entrevista ao programa Roberto D´ávila, da GloboNews, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reafirmou ser leal ao presidente Michel Temer, negando ter sido “picado pela mosca azul” do poder. 

Por outro lado, não descartou que, a longo prazo, após duas ou três eleições, se enxerga como um possível candidato ao principal cargo do executivo. “A longo prazo, é obvio que chegar onde cheguei já me coloca, daqui a duas, três eleições como uma alternativa [à Presidência], mas, a curto prazo, acho que a presidência da Câmara já me dá a possibilidade de realizações que eu nunca imaginei que eu pudesse realizar”, afirmou ele. 

Ao ser questionado se faria com Temer o que ele fez com Dilma (Rousseff), em uma referência a possíveis movimentações contra o peemedebista, Maia disse ter certeza de que “o presidente não fez issso”. Ele ainda contou que todo dia é “cobrado pela mãe” por mensagem para “não conspirar” (contra Temer). Segundo Maia, o texto foi mostrado para o próprio presidente Temer.

Maia ainda separou as suas funções como parlamentar e como presidente da Câmara. Como deputado, ele apoia Temer. Mas, como presidente da Câmara, tem que manter posição de neutralidade. “Uma coisa é o presidente da Câmara, outra coisa é o deputado eleito pelo DEM que apoia o governo do presidente Michel Temer. Esse deputado será leal sempre. Agora, o presidente da Câmara vai ser o presidente da instituição e árbitro do jogo. Então, a minha distância do governo nesse momento e a Constituição e o Regimento da Casa são aqueles escritos que eu vou respeitar nesse processo.”

Ao ser questionado sobre o fatiamento da denúncia enfrentada por Temer na da Câmara dos Deputados, ele disse que “o ideal para o Brasil” seria que não tivesse havido o fatiamento das investigações. Porém, ele disse respeitar as decisões neste sentido tomadas por outros Poderes. “O ideal para o Brasil é que tivéssemos apenas uma denúncia. Mas esse é um papel que cabe ao procurador-geral e ao ministro [do STF Luiz Edson] Fachin . O ministro Fachin já desmembrou o inquérito em dois. Então, ele mesmo viu motivos para separá-los”, disse Maia.  “Não estou aqui para fazer críticas a outras instituições. Inclusive acho que no Brasil de hoje nós precisamos repactuar as relações entre os poderes.”

Quando perguntado sobre informações que saem do Palácio do Planalto, Maia fez uma crítica. “Esse Palácio tem muita boca. Já venho dizendo há muitos meses isso para o presidente. O Palácio tem que falar menos. E eu acho que isso é uma coisa que atrapalha o governo. Não apenas agora, desde o começo a gente vê muita gente falando em off pelo Palácio. Com isso, reduziria muito as intrigas e as fofocas no Palácio do Planalto”, afirmou.