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A defesa do desembargador federal Macário Júdice Neto protocolou a defesa do magistrado no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado de vazar uma operação policial contra o ex-deputado estadual Tiego Raimundo, o TH Jóias, ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar (União). Na ação, os advogados de Macário negam qualquer vazamento e ainda defendem que ele é acusado de cometer um crime impossível.
O desembargador é apontado pela Polícia Federal como o responsável por ter avisado a Rodrigo Bacellar em setembro passado que haveria uma operação contra o então deputado estadual TH Jóias, acusado de ser um braço político do Comando Vermelho. Macário era o relator da ação no Tribunal Regional Federal (TRF) e assinou os mandados de prisão daquela operação.
Segundo os investigadores, ao ser avisado pelo magistrado, Bacellar repassou a informação ao colega parlamentar, que tentou esconder e se livrar de provas. Em depoimento à Polícia Federal, segundo os investigadores, o parlamentar admitiu ter feito o alerta sobre a ação policial. Para os procuradores, essa conduta teria contribuído para dificultar a coleta de provas no caso.
A principal tese de defesa de Macário Júdice é que ele não poderia ter cometido o crime de vazamento, o que eles chamam de “crime impossível”. Em dezembro, na segunda fase da Operação Unha e Carne, que prendeu o magistrado, a PF embasou o pedido de prisão em mensagens encontradas no telefone de Bacellar na véspera da operação contra TH Jóias. Nelas, o ex-presidente da Alerj conversa com seu chefe de gabinete Rui Bulhões e diz que estava por volta das 22h numa churrascaria da Zona Sul do Rio com Macário Júdice.
No entanto, a defesa do magistrado aponta que a própria Polícia Federal concluiu que o jantar não aconteceu. No relatório que indicou Júdice e Bacellar, os investigadores mostram que as antenas de celular dos dois não estiveram no estabelecimento naquela noite. Macário estava em outro restaurante, em Ipanema, num jantar com amigos.
A PF conclui, no entanto, que ele teria se ausentado do restaurante e se encontrado com Bacellar num local desconhecido e sem os celulares. Uma das hipóteses do relatório, baseadas no tempo de deslocamento, é que o motorista não deixou Macário em casa naquela noite. No entanto, um dos advogados que esteve no jantar da Barra da Tijuca disse em depoimento que o desembargador não saiu do local. A defesa sustenta que todos os oito participantes do encontro confirmaram a versão, mas que somente três foram ouvidos na investigação.
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Outro ponto em que os advogados se debruçam é que, ao saber da operação contra si, TH Jóias começou a esvaziar sua casa na Barra da Tijuca ainda pela tarde, horas antes do encontro que a PF aponta ter ocorrido entre Macário e Bacellar. Para a defesa, a linha do tempo leva à conclusão de que seria um crime impossível de ter acontecido.
Em março, a Procuradoria Geral da República denunciou Bacellar, Macário, TH Jóias e outros acusados de vazarem e facilitarem o compartilhamento da operação contra o Comando Vermelho. O ministro relator Alexandre de Moraes pediu que os acusados se manifestassem antes de decidir se os torna réus.
O desembargador está preso desde o início de dezembro de 2025. Já Bacellar voltou a ser preso após ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral no caso Ceperj, em março. Ele tinha sido solto por decisão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), mas Moraes entendeu que o benefício concedido pelos deputados perdeu validade com a cassação. Bacellar nega os crimes.
