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Apesar de não ter definido os detalhes da reação à decisão dos Estados Unidos de classificarem as facções PCC e CV como organizações terroristas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai exaltar a defesa da soberania nacional ao tratar do tema.
O caminho é visto como uma forma de se contrapor ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, que comemorou a decisão, tomada dois dias depois de sua visita ao presidente americano Donald Trump.
Assim como feito na época da decretação do tarifaço em julho do ano passado, Lula e seus aliados devem frisar que a família Bolsonaro trabalha contra os interesses do país, já que a classificação das facções como grupos terroristas pode prejudicar empresas brasileiras.
A amplitude da medida pode ter impactos no mercado financeiro, pela possibilidade de sanções diante da infiltração do crime organizado em setores formais da economia, e nas relações diplomáticas os dois países, uma vez que os EUA já usaram o combate ao “narcoterrorismo” como justificativa para ações militares fora do seu território.
Depois do encontro de Lula com Trump no dia 8, o governo brasileiro considerava que a possibilidade de classificação do PCC e do CV não estava na perspectiva imediata dos americanos.
Por causa do clima amistoso entre os dois presidentes, a expectativa era que um anúncio desse tipo não ocorresse. Assim, o Planalto foi pego de surpresa com a decisão de quinta-feira do Departamento de Estado dos EUA.
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Na semana passada, em entrevista ao GLOBO, o ministro Wellington Lima e Silva havia dito que não via possibilidade de a medida ser adotada em um “horizonte próximo”.
O governo ainda calibra o tom da reação oficial à decisão dos Estados Unidos com o temor que uma manifestação muita enfática possa ser lida pela população como “defesa de bandidos”.
