Lula tem “papel-chave” em eleição na Venezuela, diz rival de Nicolás Maduro

Edmundo González Urrutia, de 74 anos, foi escolhido pelos partidos que compõem a Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão que se opõe a Maduro, após 2 candidatas terem sido barradas

Fábio Matos

Edmundo González Urrutia, candidato de oposição a Nicolás Maduro na Venezuela (Foto: Reprodução/YouTube)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exerce um “papel-chave” nas eleições da Venezuela, marcadas para julho deste ano, por seu peso político e pela liderança exercida pelo Brasil na América do Sul. Esta é a avaliação de Edmundo González Urrutia, principal adversário do ditador Nicolás Maduro no próximo pleito.

Em entrevista publicada pelo jornal O Globo, nesta segunda-feira (13), Urrutia, de 74 anos, elogiou as declarações recentes de Lula sobre o processo eleitoral venezuelano, cobrando transparência, legalidade e respeito à presença dos oposicionistas na disputa.

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“O papel de líderes da região, como o presidente do Brasil, que enviou mensagens importantes e está ciente dos riscos que existem, é fundamental”, afirmou o rival de Maduro. Ainda segundo Urrutia, as mensagens de Lula foram “muito bem recebidas pelos democratas venezuelanos”.

Quando perguntado sobre a mensagem que desejaria enviar a Lula, o candidato de oposição na Venezuela disse que pediria ao presidente brasileiro que estivesse “atento ao que acontece” no país vizinho. “O papel do Brasil é chave na eleição da Venezuela, como também são muitos países latino-americanos”, afirmou Urrutia.

“Lembre de uma frase que disse certa vez o ex-secretário de Estado [dos Estados Unidos] Henry Kissinger: para onde o Brasil se inclinar, se inclinará a maioria dos países latino-americanos. O peso e a liderança do presidente Lula são muito importantes, qualquer mensagem dele será bem recebida pelos democratas venezuelanos”, afirmou o opositor de Maduro.

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A oposição chegou ao nome de Urrutia como antagonista de Maduro na eleição da Venezuela depois que as duas principais candidatas não conseguiram se inscrever para disputar o pleito. O primeiro nome (e mais forte) foi o de María Corina Machado, inabilitada politicamente pela Justiça do país (controlada pelo governo).

Em seguida, sua substituta, a filósofa e professora universitária Corina Yoris, não conseguiu registrar sua candidatura para enfrentar Maduro antes do fim do prazo, o que deflagrou inúmeras críticas da comunidade internacional e do próprio Lula ao processo eleitoral venezuelano.

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Urrutia, então, foi o nome escolhido pelos partidos que compõem a Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão que se opõe a Maduro. O candidato é pouco conhecido pela população, ao contrário de Corina Machado, que aparecia na liderança das principais pesquisas.

“Não será fácil, mas o resultado das urnas deverá prevalecer. Sabemos que não é uma batalha simples, mas, no jogo democrático, alguns ganham e outros perdem”, afirmou Urrutia. “Do chavismo, podemos esperar qualquer coisa, sobretudo se sabem que as pesquisas não os favorecem.”

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”