Lula sobre denúncia contra Bolsonaro: “Se forem culpados, terão que pagar pelo erro”

O presidente fez referência indireta à possibilidade de que o plano golpista envolvesse atentados contra ele, Alckmin e Moraes

Paulo Barros

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou nesta quarta-feira (19) sobre a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros 33 acusados de tramarem um golpe de Estado. Durante coletiva no Palácio do Planalto ao lado do primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, Lula evitou comentar diretamente a denúncia, mas defendeu o direito à ampla defesa.

“Eu não vou comentar um processo que está na Justiça. O que eu posso dizer é que nesse país, no tempo em que eu governo o Brasil, todas as pessoas têm direito à presunção de inocência. Se provarem que não tentaram dar golpe e que não tentaram matar o presidente, o vice e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ficarão livres e serão cidadãos que poderão transitar pelo Brasil inteiro”, afirmou Lula.

O presidente fez referência indireta a um dos pontos mais graves apontados pela Polícia Federal na investigação: a possibilidade de que o plano golpista envolvesse atentados contra ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Lula ressaltou que a Justiça deverá julgar o caso com isenção e que os acusados terão direito ao contraditório. “Se, na hora que os juízes forem julgar, chegarem à conclusão que são culpados, eles terão que pagar pelo erro que cometeram. O processo vai para a Suprema Corte, e eles terão todo o direito de se defender. Não posso comentar mais nada do que isso.”

A manifestação de Lula ocorre um dia após a PGR apresentar denúncia contra Bolsonaro e aliados, acusando o grupo de articular uma tentativa de golpe para evitar a posse de Lula. O caso tem como base a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente, cujo conteúdo foi tornado público nesta quarta-feira (19) pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Paulo Barros

Jornalista há quase 20 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve principalmente sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos