Lula rebate acusações de Bolsonaro sobre operação da PF contra Carlos: “Grande asneira”

Presidente disse que seu governo não interfere na Polícia Federal e não manda no Judiciário; antecessor falou em perseguição contra a sua família

Reuters

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu nesta terça-feira (30) seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), que afirmou que ele e sua família estão sendo perseguidos pela Polícia Federal (PF), e disse que o ex-presidente “falou uma grande asneira” ao fazer tal acusação.

Em entrevista à rádio CBN Recife, Lula afirmou que seu governo não interfere na Polícia Federal e não manda no Judiciário, apontando que a PF apenas cumpriu decisões judiciais ao fazer a operação de busca e apreensão contra Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do ex-presidente e vereador do Rio de Janeiro.

“Eu posso falar que ele [Bolsonaro] falou uma grande asneira. O governo brasileiro não manda na Polícia Federal. Muito menos o governo brasileiro manda na Justiça”, afirmou Lula. “Você tem um processo de investigação, você tem decisão de um ministro da Suprema Corte, que mandou fazer busca e apreensão sobre suspeita de utilização com má fé pela Abin… e a Polícia Federal foi cumprir um mandado pela Justiça. Não vejo nenhum problema anormal se é uma decisão judicial”.

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Na entrevista, o presidente afirmou que espera apenas que a PF e o Ministério Público (MP) não atuem com “pirotecnia” e pediu que seja garantida a todos os investigados a presunção de inocência. “O que eu espero é que as pessoas que estão sendo investigadas sejam investigadas, que essas pessoas tenham direito à presunção da inocência que eu não tive. E eu acho que as pessoas que não devem não temem”.

Lula se referia à Operação Lava Jato e às condenações por corrupção que o levaram a ficar preso por 580 dias na sede da PF em Curitiba. As decisões foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o videocast "Conversa com o Presidente" (Ricardo Stuckert/PR)
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o videocast “Conversa com o Presidente” (Ricardo Stuckert/PR)

O petista disse ainda que, quando presidente, Bolsonaro tentou interferir na PF. “O cidadão que está acusando foi presidente da República, ele lidou com a Polícia Federal, ele tentou mandar na Polícia Federal, ele trocava superintendente ao bel prazer, sem nenhum respeito ao que pensava o próprio diretor-geral da Polícia Federal, ao que pensava o ministro da Justiça. Eu não, eu acho que as coisas têm que funcionar de acordo com os interesses da instituição”.

Na segunda-feira (29), Carlos foi alvo de buscas em sua casa no Rio, no seu gabinete na Câmara dos Vereadores e na casa em Angra dos Reis (RJ) onde estava com o pai e os irmãos Eduardo e Flávio. A operação faz parte da investigação sobre a criação de uma “estrutura paralela” na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, que teria monitorado autoridades públicas e adversários do ex-presidente.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou o cumprimento dos mandados, revelou que a PF aponta Carlos como integrante do núcleo político de uma organização criminosa na chamada “Abin paralela”. Ela seria comandada pelo então chefe da agência, o atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), aliado de Bolsonaro que é pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro e também foi alvo da uma operação na semana passada.

Segurança na Abin
Na entrevista à rádio pernambucana, Lula foi questionado se tinha segurança na formação atual da Abin, comandada pelo Luiz Fernando Corrêa, e respondeu: “A gente nunca está seguro”. Corrêa é delegado aposentado da PF e foi diretor-geral da corporação entre o segundo governo Lula e o primeiro governo Dilma Rousseff (PT), de 2007 a 2011. Antes, foi secretário Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça no primeiro governo Lula (entre 2003 e 2007).

“O companheiro que eu indiquei para ser o diretor-geral da Abin é o companheiro que foi meu diretor-geral da Polícia Federal entre 2007 e 2010. É uma pessoa que eu tenho muita confiança, por isso eu o chamei, já que eu não conhecia ninguém dentro da Abin”, afirmou o presidente sobre Corrêa. “E esse companheiro montou a equipe dele”.

“Dentro da equipe dele tinha um cidadão, que é o que está sendo acusado, que mantinha relação com o Ramagem — que era o presidente da Abin no governo passado. Ora, se isso for verdade, se for provado, não há clima para esse cidadão continuar”, acrescentou o presidente em referência a Alessandro Moretti, diretor adjunto da Abin (o segundo cargo mais importante na hierarquia da agência).

Após a PF ter levantado a suspeita de que Moretti teria articulado para impedir o avanço das investigações sobre a chamada “Abin paralela”, passou-se a ser discutido nos bastidores do governo a possibilidade de trocas na cúpula — inclusive de Corrêa. A saída de Moretti é tida como praticamente certa, segundo duas fontes do Palácio do Planalto. A avaliação é que a situação dele seria insustentável, ainda mais diante do fato de ele ter ocupado importantes cargos durante a gestão Bolsonaro.

O diretor-adjunto da Abin trabalhou com Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, tanto na PF quanto na Secretaria de Segurança Pública do DF. Torres foi preso no início do ano passado, sob suspeita de ter facilitado os atos criminosos na Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro.

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