Lula promete “recuperar a indústria naval” e defende políticas de incentivo ao setor

"No meu governo passado, a gente financiou rede, financiou barco. A gente tem que voltar a financiar", afirmou Lula ao anunciar o início das obras de dragagem do Canal de São Lourenço, em Niterói (RJ)

Fábio Matos

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República, em evento da indústria naval no Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Publicidade

Ao participar do anúncio do início das obras de dragagem do Canal de São Lourenço, em Niterói (RJ), nesta terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou que o governo federal deve focar em “políticas de incentivo” para recuperar a indústria naval do país.

Em discurso durante o evento nesta tarde, ao lado do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), Lula não deu maiores detalhes a respeito de como funcionariam esses incentivos, mas deixou claro que seu governo apostará no fortalecimento da indústria naval nacional.

“A gente vai recuperar a indústria naval brasileira. Não é possível um país do tamanho do Brasil, com 90% de todo ocomércio feito através do mar. Não tem sentido a gente ter déficit comercial na balança porque os nossos produtos são exportados e comprados em navios de bandeira estrangeira”, disse o presidente.

Continua depois da publicidade

“É verdade que pode ser mais barato em alguns centavos. É verdade que pode ser mais barato em alguns dólares. Mas o fato de a gente alugar um navio lá fora faz a gente não gera emprego aqui. A gente não cria pequenas e médias indústrias aqui. A gente não vai ter componente nacional. A gente vai trazer produtos mais baratos, mas o povo vai estar desempregado”, prosseguiu Lula.

Segundo o petista, o principal objetivo do governo deve ser a geração de empregos dentro do Brasil. “Porque o emprego gera renda, a renda gera consumo e o consumo gera desenvolvimento”, afirmou. “Nós precisamos de políticas de incentivo, que têm de partir do governo federal. No meu governo passado, a gente financiou rede, financiou barco. A gente tem que voltar a financiar”, defendeu Lula.

Ainda segundo o chefe do Executivo, “não existe possibilidade de a gente recuperar este país se a economia não voltar a crescer”. “A economia voltando a crescer, ela vai gerar emprego. O emprego gera consumo. O consumo gera mais emprego e, assim, a roda gigante da economia vai girando e a gente vai voltar a crescer”, afirmou.

Em seu discurso, Lula relembrou o compromisso firmado ainda na campanha eleitoral de 2002, em sua primeira vitória para a Presidência da República. “Desde 2002, quando eu disputei a eleição para presidente, eu disse que a gente iria recuperar a indústria naval brasileira. Naquele tempo, os estaleiros estavam todos praticamente paralisados”, observou.

“Nós assumimos o compromisso de que a gente iria recuperar a indústria naval brasileira. A gente saiu de menos de 3 mil trabalhadores para 86 mil trabalhadores na indústria naval, com vários estaleiros montados e funcionando em diversos lugares”, concluiu Lula, citando seus dois governos anteriores.

A obra em Niterói

Segundo informações do Palácio do Planalto, o desassoreamento de um trecho da Baía de Guanabara, entre a Ilha da Conceição e a Ponte Rio-Niterói, aumentará de 7 para 11 metros a profundidade do local, o que deve permitir o aumento da função operacional dos estaleiros e estimular novas construções de embarcações, além da movimentação do setor de reparos e offshore.

A expectativa do governo é a de gerar, durante toda a execução da obra, cerca de 20 mil empregos. O Porto de Niterói prevê mais de 30% de aumento nas atracações e nos serviços portuários após a dragagem do Canal de São Lourenço.

A obra soma R$ 157 milhões em investimentos, dos quais R$ 137 milhões provenientes da prefeitura de Niterói e R$ 20 milhões oriundos da Companhia Docas do Rio de Janeiro, empresa pública do governo federal.

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Além do InfoMoney, teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”.