Lula diz que pegou “país desmontado” pós-Bolsonaro: “A mentira deslavada tomou conta”

Em evento ao lado do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que foi vaiado, Lula afirma que país viveu “época de ouro” em seus dois governos anteriores, entre 2003 e 2010

Fábio Matos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em evento no Rio de Janeiro (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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Na segunda agenda pública desta terça-feira (2), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), ainda que novamente não tenha citado expressamente o nome do rival.

Nesta tarde, ao participar de um evento ao lado do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), aliado de Bolsonaro, Lula disse que assumiu um “país desmontado” ao tomar posse para o terceiro mandato, em 1º de janeiro de 2023.

O presidente afirmou, ainda, que a “falta de vergonha”, a “irresponsabilidade” e a “mentira deslavada” marcaram os últimos anos da política brasileira.

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“Agora nós voltamos e temos de começar tudo de novo. Não é fácil o trabalho de reconstruir. Muitas vezes fazer uma reforma é mais difícil do que construir uma coisa nova. Nós pegamos este país desmontado. Este país não tinha mais ministério da Pesca, dos Portos e Aeroportos, da Cultura… e muitos outros não funcionavam”, disse.

“Nós passamos quatro anos em que, em vez de governança, a gente tinha mentira. Em vez de saúde, a gente tinha mentira”, prosseguiu o petista. “A falta de vergonha e a irresponsabilidade tomaram conta deste país. E a mentira deslavada tomou conta das políticas públicas deste país.”

“Época de ouro”

As declarações de Lula foram dadas durante o anúncio do início das obras de dragagem do Canal de São Lourenço, em Niterói (RJ). O objetivo é a ampliação do acesso da infraestrutura aquaviária ao Complexo Industrial e Portuário de Niterói.

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A obra soma R$ 157 milhões em investimentos, dos quais R$ 137 milhões provenientes da prefeitura de Niterói e R$ 20 milhões oriundos da Companhia Docas do Rio de Janeiro, empresa pública do governo federal.

Em seu discurso, Lula relembrou os oito anos em que governou o Brasil, por dois mandatos, entre 2003 e 2010. “Nós vivemos uma época de ouro de 2003 a 2010, quando a economia terminou crescendo 7,5%, a indústria naval cresceu muito e nós tivemos a sorte de descobrir o pré-sal”, afirmou.

“A partir do pré-sal, a gente começou a perceber que poderíamos fazer da Petrobras a indústria do futuro neste país. Dizíamos que a Petrobras e o pré-sal seriam o passaporte do futuro para a nossa juventude. Queríamos que uma parte do dinheiro do petróleo fosse utilizada para pagar nossa dívida histórica com a educação, a saúde e a tecnologia brasileira”, discursou Lula.

“Quando nós descobrimos o pré-sal, os nossos adversários diziam que não tínhamos como explorar o petróleo, que estava muito fundo. Hoje, a gente consegue colocar o petróleo de 5 mil metros de profundidade quase ao mesmo preço do petróleo da Arábia Saudita, tirado na flor da terra”, continuou o presidente.

Lula afirmou, ainda, que “a Petrobras é a empresa mais preparada no planeta Terra para a prospecção de petróleo em águas profundas”. “É por isso que estamos tentando recuperar a Petrobras, porque eles [adversários] não tiveram a coragem de privatizar, porque tinha de passar pelo Congresso Nacional. Eles começaram a vender ativos da Petrobras. O objetivo era tentar desmontar todo o sistema produtivo da Petrobras”, disse.

Cláudio Castro vaiado

Diante de uma plateia majoritariamente simpática a Lula, o governador do Rio, Cláudio Castro, foi vaiado ao ser anunciado para discursar. Aliado de Bolsonaro, Castro agradeceu ao governo federal pelos investimentos no estado.

“Queria parabenizar o governo federal e a prefeitura de Niterói por esse projeto fantástico, que vai transformar essa indústria tão importante no Rio de Janeiro”, afirmou o governador.

“A gente tem que trabalhar unidos, independentemente de eleição. A eleição acaba e nós temos um povo para cuidar. Temos conseguido esse processo de parceria, que está mudando o Rio de Janeiro”, concluiu Castro.

A obra

Segundo informações do Palácio do Planalto, o desassoreamento de um trecho da Baía de Guanabara, entre a Ilha da Conceição e a Ponte Rio-Niterói, aumentará de 7 para 11 metros a profundidade do local, o que deve permitir o aumento da função operacional dos estaleiros e estimular novas construções de embarcações, além da movimentação do setor de reparos e offshore.

A expectativa do governo é a de gerar, durante toda a execução da obra, cerca de 20 mil empregos. O Porto de Niterói prevê mais de 30% de aumento nas atracações e nos serviços portuários após a dragagem do Canal de São Lourenço.

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Além do InfoMoney, teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”.