Lula pediu ajuda a Trump para prender dono da Refit, alvo da PF

Ricardo Magro, investigado por fraude bilionária no setor de combustíveis, vive em Miami e entrou na difusão vermelha da Interpol após operação desta sexta

Marina Verenicz

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia | Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia | Foto: Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a recorrer diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tentar avançar na prisão do empresário Ricardo Magro, dono do grupo Refit e alvo central de investigações da Polícia Federal sobre um esquema bilionário no mercado de combustíveis.

O pedido ganhou novo peso nesta sexta-feira (15), após a PF deflagrar a Operação Sem Refino, que incluiu Magro na difusão vermelha da Interpol e realizou buscas contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).

Magro vive em Miami desde a década passada. Segundo investigadores, a permanência do empresário em território americano vinha sendo tratada como um dos principais obstáculos para o avanço das medidas cautelares no Brasil.

O pedido de cooperação feito por Lula a Trump ocorreu no contexto das discussões entre os dois governos sobre crime organizado, lavagem de dinheiro e fluxos financeiros internacionais ligados ao setor de combustíveis.

Nesta sexta, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a inclusão do nome de Magro na lista internacional da Interpol, mecanismo que permite a localização e eventual prisão de investigados em países que integram a rede da organização.

A solicitação ainda precisará passar por análise formal da Interpol para produzir efeitos internacionais.

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A PF afirma que o grupo investigado utilizava uma estrutura empresarial complexa para ocultação patrimonial, evasão de recursos ao exterior e supostas fraudes tributárias que podem chegar a R$ 56 bilhões.

Segundo a corporação, o esquema envolveria empresas do setor de combustíveis e operações financeiras destinadas a dificultar o rastreamento de ativos.

Ao todo, a Operação Sem Refino cumpriu 17 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

A decisão do STF também determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e o afastamento de sete pessoas de funções públicas.

O nome de Cláudio Castro apareceu entre os alvos das buscas autorizadas por Moraes, embora a Polícia Federal ainda não tenha detalhado qual seria o elo específico do ex-governador com o núcleo investigado.

Ricardo Magro controla o grupo Refit, responsável pela refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. A empresa já havia aparecido em investigações anteriores relacionadas ao mercado de combustíveis e suspeitas de sonegação tributária.

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