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Quem vencer a eleição presidencial de 2026 deve chegar ao Palácio do Planalto com menos espaço para impor sua própria agenda do que presidentes de outras épocas. Na avaliação do cientista político Carlos Melo, professor do Insper, o fortalecimento do Congresso alterou de forma estrutural a relação de forças entre Executivo e Legislativo.
Durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, Melo afirmou que esse cenário vale tanto para uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
“Qualquer que seja o Executivo, na minha percepção, vai dançar. Nenhum Executivo hoje, com esse perfil que a gente tem de enfraquecimento do Executivo por uma hipertrofia do Legislativo, vai ter condição de fazer maioria com facilidade. Vai ter que ajoelhar no milho e vai ter que ceder cada vez mais ao Congresso, porque não vai fazer maioria”, afirmou.
A mudança está ligada, segundo Melo, ao aumento da autonomia financeira dos parlamentares. Bancadas maiores significam mais acesso ao fundo partidário e ao fundo eleitoral, enquanto as emendas parlamentares ampliaram a capacidade de deputados e senadores de direcionar recursos sem depender tanto do Palácio do Planalto.
“Os parlamentares já terão fundo partidário, fundo eleitoral, emendas que são de liberação obrigatória. Então, eles vão exigir cada vez mais dos Executivos. Os Executivos se enfraquecem e perdem poder de agenda”, disse.
O diagnóstico ajuda também a explicar o comportamento dos partidos do chamado Centrão nesta eleição. Para Melo, muitas legendas não fazem seu cálculo eleitoral a partir de uma escolha programática entre Lula e Flávio, mas da necessidade de eleger bancadas grandes e preservar espaço político em qualquer cenário.

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“Se numa determinada região o candidato à Presidência da República tem mais entrada e vai fazer mais parlamentares, então é melhor não brigar com ele. Se noutra região é o outro candidato, então é melhor não brigar com ele. Essa neutralidade não é uma neutralidade nacional. É uma neutralidade que permite aderir aonde convém”, afirmou.
Na avaliação do cientista político, o resultado de outubro será apenas a primeira etapa da disputa. Depois das urnas, o tamanho das bancadas e a composição das duas Casas definirão quanto espaço o próximo presidente terá para governar.
“É um jogo de sobrevivência política. No outro momento, o que você vai ver é o que resultou disso, qual é o tamanho das bancadas”, disse.
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Melo avalia que a perda de força do Executivo também limita a capacidade dos candidatos de prometer grandes transformações durante a campanha. Mesmo que Lula ou Flávio apresentem projetos ambiciosos, a execução dependerá de negociações com um Congresso que chega à próxima legislatura com mais instrumentos próprios de poder.
“Mesmo que tivessem [um projeto para o futuro], esse poder de agenda também é limitado”, afirmou. Para o professor, o desafio do próximo presidente será, portanto, menos conquistar uma maioria permanente e mais construir acordos sucessivos com um Legislativo fortalecido.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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