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A eleição deve colocar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) na Presidência em 2027. Ainda que os eleitores optem por mudança ou continuidade no Executivo, há uma parte do poder em Brasília que tende a sobreviver à troca de comando no Planalto. A expectativa é de que as urnas confirmem que os partidos de centro e centro-direita mantenham a forte presença no Congresso para a próxima legislatura.
A avaliação é de Lara Mesquita, cientista política e professora da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). Em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, ela afirmou que essas legendas devem continuar com peso relevante na Câmara e, consequentemente, nas negociações do próximo governo.
Segundo Mesquita, a capilaridade municipal ajuda a explicar essa força. Partidos que elegeram grande número de prefeitos em 2024 chegam à eleição legislativa com estruturas locais capazes de impulsionar seus candidatos.
“O que a gente também sabe, com certeza, é que os partidos do chamado Centrão, de centro-direita, por terem hoje o maior contingente de prefeitos, vão ter a maior bancada de deputados”, afirmou.

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Presidente precisa construir maioria
A importância desse grupo aumenta porque o partido do presidente dificilmente terá sozinho deputados e senadores suficientes para aprovar toda a agenda do Executivo.
Mesquita explica que, em um sistema multipartidário, o presidente pode buscar uma coalizão oferecendo participação no governo a outras legendas. Ministérios e partes da agenda são negociados em troca de apoio parlamentar.
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“Uma vez o presidente eleito, se o seu partido não tem maioria no Congresso, na Câmara e no Senado, ele tem dois caminhos. Ele pode tentar formar uma coalizão, então chamar para conversar os líderes dos partidos e oferecer, dividir o poder, dividir o controle do Executivo com eles”, explicou.
É nesse cenário que partidos de centro podem ganhar importância independentemente de Lula ou Flávio vencerem.
A outra possibilidade é governar sem uma maioria permanente, construindo acordos diferentes para cada votação. Nesse caso, projetos que não tenham amplo apoio dependeriam de negociações pontuais.
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Centrão com qualquer presidente?
Mesquita afirma que a presença de partidos capazes de integrar governos de campos políticos diferentes não é uma característica exclusiva do Brasil.
Ela cita democracias multipartidárias nas quais algumas legendas permanecem nas coalizões mesmo quando muda o partido responsável por comandar o Executivo.
No Brasil, isso ajuda a explicar por que a polarização observada na disputa presidencial não necessariamente se repete na composição do Congresso.
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“Eu tenho um conjunto de partidos que vai participar do governo independentemente de quem está liderando o governo, se é a direita ou se é a esquerda”, afirmou.
Isso ocorre porque as disputas seguem lógicas diferentes. Enquanto a eleição presidencial concentra a competição em poucos nomes, a eleição proporcional para a Câmara distribui as vagas entre um número maior de partidos.
Algumas legendas, segundo Mesquita, se especializam justamente na disputa legislativa e constroem alianças com partidos mais competitivos nas eleições para presidente e governador.
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“Existem os partidos especializados na competição executiva […] e os partidos especializados na disputa legislativa. E eles são aliados dos partidos com vocação executiva, mas eles se especializam na disputa para o Legislativo”, disse.
A eleição de domingo, portanto, não definirá apenas quem comandará o Planalto. Também determinará com quem o próximo presidente terá de negociar para conseguir governar.