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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) testaram argumentos sobre o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros numa prévia do embate que os dois políticos deverão travar na campanha eleitoral.
De um lado, aliados de Lula e integrantes do governo classificaram como oportunista e eleitoreira a iniciativa de o senador participar de audiência organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, sobre as tarifas. De outro, Flávio buscou conter danos à sua campanha e tentar desvencilhar a ideia de que ele atuou contra os interesses do Brasil.
Em sua fala, Flávio disse que o “momento” eleitoral é o “pior possível” para a implementação das taxas de 25% contra os produtos brasileiros e que elas “foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro”. O senador também defendeu o Pix, mecanismo de pagamento que virou alvo do governo americano.
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Integrantes do Palácio do Planalto afirmaram que o discurso de Flávio mostrou que ele se coloca contra o tarifaço apenas por cálculo eleitoral, e não para defender o Brasil e seus produtores. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o senador faz “diplomacia clandestina da pior qualidade”.

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Governo Lula repudia participação de Flávio em audiência nos EUA: ‘Traição à pátria’
Flávio participou de audiência organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que não foi transmitida
— O sinal foi claro: implorar para o Trump não fazer nada até outubro e apontar que entregaria tudo que ele quer caso fosse eleito, inclusive o Pix — afirmou.
Desde as primeiras sanções ao Brasil, aliados de Lula têm buscado atrelar essas medidas à atuação de Flávio e seus aliados, sobretudo o irmão Eduardo Bolsonaro, junto às autoridades americanas. Além disso, governistas reforçaram o discurso em defesa da soberania brasileira e, nas últimas semanas, exploraram o mote “Tariflávio”, para associar o senador à implementação das tarifas.
No começo da noite desta terça, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) divulgou nota repudiando a participação de Flávio na audiência, afirmando que “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria”.
Na nota, a Secom diz que há um “claro objetivo eleitoreiro” de Flávio, principal adversário do presidente nas eleições de outubro, ao tratar da aplicação das tarifas e afirma que o senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”. “Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz a nota.
Ainda no texto, o governo diz que o senador “não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil” nem usou da sua fala na audiência para “reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro”.
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Flávio, por sua vez, usou da sua fala para tentar conter danos à sua pré-campanha. A apresentação ocorreu na sequência de desgastes à imagem do senador provocados pelo novo tarifaço.
Pesquisa Quaest mostrou no início de junho que 47% dos eleitores concordavam com a frase de Lula dizendo que Trump impôs o tarifaço a pedido de Flávio, que esteve na Casa Branca com o presidente americano. Outros 35% afirmaram concordar com o senador, que afirmou ter ido aos EUA para pedir o oposto, que a sobretaxa não fosse aplicada.
A vinculação de Flávio às sanções econômicas do Brasil, citada por quase metade do eleitorado, causou preocupação na campanha do PL e provocou uma ofensiva para que ele tentasse se desvencilhar da crise.
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Na audiência nesta terça, o senador pediu a suspensão das taxas, criticou o atual chefe do Executivo e afirmou que o Pix não compete com os sistemas americanos.
“Em apenas noventa dias, o cenário político do país poderá ser completamente diferente. Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências, seria o pior momento possível para agir”, afirmou Flávio na audiência, segundo a nota enviada por sua assessoria.
Ao longo da apresentação, o senador retomou um dos principais argumentos políticos utilizados desde a entrega do parecer ao USTR: o de que uma nova rodada de tarifas acabaria fortalecendo, e não enfraquecendo, o governo Lula.
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