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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o sendaor Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao primeiro turno separados por poucos pontos, depois de uma campanha que terminou mais polarizada e sem vantagem confortável para nenhum dos dois.
A Quaest mostra Lula com 39% e Flávio com 34%. Na AtlasIntel/Bloomberg, o placar é de 45,3% a 42,2%. A Meio/Ideia registra 39,4% a 38,4%, em empate técnico.
Os institutos usam metodologias diferentes e os percentuais não devem ser comparados como uma série única. No entanto, o conjunto dos levantamentos, porém, mostra uma eleição sem a distância de dois dígitos que marcou parte da reta final de 2022.
A primeira batalha de domingo será, portanto, menos sobre confirmar uma liderança consolidada e mais sobre medir o tamanho real de dois blocos que chegam praticamente formados à urna.
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Lula lidera, mas sem folga
O presidente Lula aparece numericamente à frente em parte importante das pesquisas e mantém sua principal força entre eleitores de menor renda e no Nordeste, onde lidera nos nove estados segundo os levantamentos estaduais mais recentes.
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No mapa nacional, o petista está à frente em 11 estados. Flávio lidera em oito e no Distrito Federal, enquanto sete apresentam empate técnico.

O desafio de Lula é conservar margens elevadas no Nordeste e reduzir desvantagens nos grandes colégios eleitorais. São Paulo permanece mais favorável a Flávio, assim como o Rio de Janeiro. Em Minas Gerais, o Datafolha marcou 39% para Lula e 37% para Flávio, dentro da margem de erro.
Essa geografia levou as duas campanhas a concentrar a reta final no Sudeste, sobretudo em São Paulo, Minas e Rio.
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Flávio preserva o eleitorado bolsonarista
Flávio chega à votação tendo reunido grande parte da base que apoiou Jair Bolsonaro em 2022. O desenho territorial permanece semelhante. O candidato do PL tem força no Sul, Centro-Oeste e em partes do Sudeste, além de vantagens em estados como Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre, Rondônia e Roraima.

Essa capacidade de preservar a base bolsonarista reduziu o espaço para uma candidatura alternativa de direita. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) continuam distantes dos dois primeiros colocados na maior parte das pesquisas nacionais.
Na Quaest desta semana, Cury e Caiado tinham 4% cada e Renan, 3%. Na Atlas, Renan aparecia com 5,2%, Cury com 2% e Caiado com 1,8%.
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O resultado é uma eleição em que a polarização se recompôs antes mesmo do primeiro turno.
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Lula aposta no bolso
Na reta final, a campanha do presidente procurou deslocar o debate para medidas com impacto direto sobre a renda e o orçamento doméstico.
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O governo anunciou uma nova rodada de renegociação de dívidas e colocou na agenda o reajuste do Bolsa Família, além de explorar medidas relacionadas ao mercado de apostas. A estratégia foi acompanhada por uma intensificação das agendas de rua e pela exposição de programas e resultados do terceiro mandato.
O objetivo político é recuperar eleitores de baixa renda que continuam sendo fundamentais para a coalizão eleitoral do PT, mas entre os quais a campanha identificou risco maior de abstenção.
Ao mesmo tempo, Lula chega à eleição carregando o desgaste natural de quem ocupa a Presidência. A Meio/Ideia desta quarta-feira registrou divisão exata na avaliação pessoal de seu governo: 49% aprovam e 49% desaprovam.
Isso ajuda a explicar por que, apesar de ocupar a máquina federal e liderar parte dos levantamentos, o presidente não conseguiu abrir distância maior.
Master atingiu os dois campos
O caso Banco Master atravessou a campanha sem produzir uma divisão simples entre governo e oposição. Investigações e reportagens alcançaram personagens ligados a diferentes partidos, ao Supremo Tribunal Federal e também a Flávio Bolsonaro.
Ainda assim, pesquisa Datafolha mostrou que 34% dos entrevistados associavam o episódio principalmente à esquerda, contra 27% que apontavam a direita.
O tema ofereceu munição às duas campanhas, mas sem produzir até agora uma ruptura clara nas pesquisas.
Flávio utilizou o caso para atacar o sistema político e a relação entre governo e Judiciário. Lula buscou evitar que o escândalo ocupasse a reta final e priorizou uma agenda econômica e social.
Religião virou um problema
Nos últimos dias, um novo tema entrou na campanha de Flávio. Publicações falsas passaram a associá-lo a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O assunto ganhou repercussão especialmente entre eleitores católicos e levou a campanha a recorrer à Justiça Eleitoral.
A narrativa era falsa, mas sua circulação obrigou Flávio a dedicar parte da reta final à contestação do conteúdo.
O episódio ocorreu justamente quando fé, moral e costumes passaram a ocupar maior espaço nas redes, ao lado do debate sobre bets e de declarações de Lula que também foram exploradas por adversários.
O impacto eleitoral ainda não pode ser isolado nas pesquisas, mas a crise acrescentou um elemento defensivo aos últimos dias da campanha do PL.
Segundo turno já aparece empatado
As simulações de segundo turno reforçam o equilíbrio. A Quaest registra 42% para Lula e 42% para Flávio. A AtlasIntel/Bloomberg mostra 47,7% para Flávio e 47,6% para Lula. A Meio/Ideia aponta 48,5% para Lula e 48% para Flávio. Todos são cenários de empate técnico.
Lula chega ao domingo numericamente à frente em parte das pesquisas e sustentado por margens maiores no Nordeste. Flávio preserva grande parte do eleitorado do pai e mantém força em importantes colégios do Sul e Sudeste.
O primeiro turno vai medir o tamanho real dessas duas bases e definir com que distância cada candidato entrará em uma eventual segunda etapa.